“Toda vez que eu passava naquela cidade distante, tinha um homem na praça pregando, tentando mostrar as pessoas daquele lugar, quais os rumos que a humanidade tinha que seguir para que se alcançasse uma sociedade do bem, justa e igualitária. Percebi que as pessoas passavam sem dar importância às palavras daquele homem. Alguns anos se passaram e eu, como o viajante que era, tive que passar por aquela cidade novamente e, para minha surpresa, vi que aquele homem continuava sua pregação de uma sociedade justa e, da mesma forma, as pessoas continuavam a passar, ignorando sua presença, bem como suas palavras. Curioso, perguntei àquele velho pregador, por que ele insistia nas suas palavras, uma vez que ninguém lhe dava atenção, e ele me respondeu: “Meu filho, se um dia eu parar de tentar mudar as pessoas, elas é que terão me mudado.”
Avaliando Xiquexique depois de ter morado muitos anos fora, percebi o quanto um ambiente altera os pensamentos e atitudes de uma pessoa. Talvez isso explique porquê algumas vozes se calam; pessoas que julgamos capazes de mudar a situação vigente ficam inertes; alguns não mudam pensamentos retrógrados que em nada contribui para mudar os rumos das coisas, pelo contrário, até impedem.
Com o passar dos anos, percebe-se que na política de Xiquexique mudam-se os personagens, mas o modo de administrar a cidade continua o mesmo. Essa política repressiva de favorecer a alguns em detrimento de muitos, faz com que a carência e a necessidade falem mais alto, resultando em que, aqueles que desejem algo mais ou diferente, vendam suas consciências em troca da sobrevivência.
A educação sem qualidade não desperta a cidadania dentro de cada um, e o povo, inconsciente de seu papel, não participa ativamente do jogo político, desacostumando, assim, a participar, e, movidos pelas mesmas necessidades e carências, tendem a ouvir o canto mais bonito das aves de rapina. Assim, mais uma parcela da população se entrega ao comodismo da conveniência.
Por outro lado, nota-se que alguns que poderiam tentar mudar algo, estão muito presos a postulados teóricos que julgam serem corretos ou coerentes, mas vendo que são incapazes de colocá-los em prática e por temerem que novas idéias suplantem as suas, fecham-se no seu mundo e impedem até que outros possam fazer algo em seu lugar (convém lembrar que, ser inerte ou acomodar-se também é um meio de contribuir com o atual estado de coisas).
Por fim, faço uma mea culpa, pois viver em Xiquexique nos faz criar um ranço político miserável, nos tornando até uns chatos e, por conseguinte, até a tomar atitudes que costumávamos combater. É claro que tudo na melhor das intenções, pois alguns querem o melhor para sua terra, mas nunca esquecendo que cada um pode fazer sua parte para que possamos transformar Xiquexique num lugar de oportunidades e que tenhamos, um dia, liberdade de escolher os nossos representantes, apenas por sua competência.
Voltando à refletir e colocando os pensamentos no lugar, percebo que esse meio é assim, pelos que o fazem valer e pelos que não fazem nada também (os homens). Por isso, julgo-me incapaz de tentar responder a pergunta que dá título a essa matéria e passo adiante essa dúvida, pois seria o mesmo que responder a questão: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”
Marcus Vinicius C. de Souza
Avaliando Xiquexique depois de ter morado muitos anos fora, percebi o quanto um ambiente altera os pensamentos e atitudes de uma pessoa. Talvez isso explique porquê algumas vozes se calam; pessoas que julgamos capazes de mudar a situação vigente ficam inertes; alguns não mudam pensamentos retrógrados que em nada contribui para mudar os rumos das coisas, pelo contrário, até impedem.
Com o passar dos anos, percebe-se que na política de Xiquexique mudam-se os personagens, mas o modo de administrar a cidade continua o mesmo. Essa política repressiva de favorecer a alguns em detrimento de muitos, faz com que a carência e a necessidade falem mais alto, resultando em que, aqueles que desejem algo mais ou diferente, vendam suas consciências em troca da sobrevivência.
A educação sem qualidade não desperta a cidadania dentro de cada um, e o povo, inconsciente de seu papel, não participa ativamente do jogo político, desacostumando, assim, a participar, e, movidos pelas mesmas necessidades e carências, tendem a ouvir o canto mais bonito das aves de rapina. Assim, mais uma parcela da população se entrega ao comodismo da conveniência.
Por outro lado, nota-se que alguns que poderiam tentar mudar algo, estão muito presos a postulados teóricos que julgam serem corretos ou coerentes, mas vendo que são incapazes de colocá-los em prática e por temerem que novas idéias suplantem as suas, fecham-se no seu mundo e impedem até que outros possam fazer algo em seu lugar (convém lembrar que, ser inerte ou acomodar-se também é um meio de contribuir com o atual estado de coisas).
Por fim, faço uma mea culpa, pois viver em Xiquexique nos faz criar um ranço político miserável, nos tornando até uns chatos e, por conseguinte, até a tomar atitudes que costumávamos combater. É claro que tudo na melhor das intenções, pois alguns querem o melhor para sua terra, mas nunca esquecendo que cada um pode fazer sua parte para que possamos transformar Xiquexique num lugar de oportunidades e que tenhamos, um dia, liberdade de escolher os nossos representantes, apenas por sua competência.
Voltando à refletir e colocando os pensamentos no lugar, percebo que esse meio é assim, pelos que o fazem valer e pelos que não fazem nada também (os homens). Por isso, julgo-me incapaz de tentar responder a pergunta que dá título a essa matéria e passo adiante essa dúvida, pois seria o mesmo que responder a questão: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”
Marcus Vinicius C. de Souza
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