Marina Silva já não faz campanha
eleitoral. Estabeleceu uma verdadeira “guerra santa” contra os partidos
políticos e ao princípio democrático. Está cada vez mais difícil separar o que
é hipocrisia do que é uma crença.
A última pérola demagógica da
candidata foi a proposta de um “comitê para a busca de homes de bem”. Ou seja,
de pessoas que tenham a capacidade e a honestidade para ocupar cargos públicos.
Marina pretende largar o cajado e pegar a balança, e exercer o seu trabalho
messiânico fundamentalista para julgar o caráter das pessoas. O grande problema
é o seu critério de medida como veremos adiante.
Parece que a ex-senadora se julga
acima do bem e do mal, como um ser supremo detentor de uma sabedoria incomum. É
o auge absurdo de um comportamento megalomaníaco, muito distante do ideal de
Democracia sustentado pelos maiores estadistas.
Chuchil, por exemplo, que estava
longe de ser um socialista, afirmou de forma peremptória: “A democracia é a
pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram
experimentadas”. Aristóteles também considerava a Democracia imperfeita. Por
isso afirmava o ideal da Politeia (o governo de todos) e o da Aristocracia
(Governo do Melhores).
Contudo, o mestre grego considerava a
Politeia impossível, pois se converteria no governo de muitos (ou dos pobres
para alguns tradutores), que é a Democracia. Já a Aristocracia sempre
degenerava para a Oligarquia, algo muito conhecido no Brasil na República
Café-com-Leite, e de muitos apoiadores da candidata acreana.
Alguém já disse que a neossocialista
não é uma candidata à Presidência da República, mas ao “cargo de Santa”. Talvez
ela tenha incorporado este ideal, afastando qualquer estratégia política
baseada na lógica e na razão. Seus discursos são milenaristas, como se
estivesse indicando a chegada do apocalipse.
Todavia, quando confrontada com o
mundo real, não consegue achar o caminho. Embretada num debate recente pela
Presidenta Dilma Rousseff (PT), sobre como encontraria recursos para executar
suas propostas, Marina (PSB) respirou, tergiversou e não disse nada.
Aliás, está num páreo duro com outra
candidata oposicionista, mas no nível estadual, para ver quem apresenta o
projeto mais inconsistente. Ana Amélia Lemos (PP) do Rio Grande do Sul, já
afirmou em debate que não iria responder a uma pergunta do Governador Tarso
Genro (PT), pois aquele não era o local. Ou seja, transparência zero. Apelou
apenas, para um demagógico corte de pequenos cargos comissionados – algo como
0,3% do gasto do Estado com pessoal.
Mas o caso de Marina é o mais
gritante, o mais absurdo, e o mais ofensivo a qualquer pessoa que se julgue ao
mínimo com senso crítico. Ela pretende assumir o maior cargo do país com
propostas indignas até mesmo a uma conversa de bar. Ofende diariamente a
inteligência das pessoas, ainda de permanecer num jogo contínuo de mudanças de
opiniões.
Quem são os homens de bem de Marina?
O pastor Malafaia e sua cruzada contra o ativismo gay? O Deputado Feliciano,
que afundou a direção da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados?
A sua equipe econômica que pretende entregar a nossa soberania econômica ao capital
internacional, oferecendo autonomia plena ao Banco Central? Quem tem poder para
julgar os homens de bem por Marina?
Marina Silva acredita ocupar alguma
poltrona no mais alto pedestal da moralidade, enquanto fecha os olhos a
centenas de denúncias apresentadas contra os seus parceiros políticos.
Diferente de Dilma, que promete investigação e punição, aliás, algo que já vem
fazendo desde que assumiu o Cargo Maior da Nação, Marina tem preferido
desconversar, aliás, já pensando em eventuais apoios nos segundo turno das
eleições, se é que estes acontecerão!
Se em 2010 a candidata de oposição
apelava para o falatório niilista, ao ponto de ter recebido o irônico apelido
de Blá-blarina pelo colunista Paulo Henrique Amorim, em 2014 a “nova política”
de Marina Silva é um discurso arrogante e irreal. Ela teima, insistentemente em
desconsiderar a capacidade intelectual dos eleitores. E pior do que isto,
migrou claramente para a direita no seu pior formato.
Governar acima dos partidos era uma
pretensão de Benito Mussolini. Este também era defensor da Aristocracia, do
Governo do Melhores! Tanto Marina Silva, como Mussolini, tiveram passado na
esquerda democrática e caminharam para a Direita.
O governo do italiano foi uma
tragédia, uma ditadura totalitária. Já o projeto de Marina, cada vez mais se
apresenta um desenho autoritário, agressivo, mas com um modelo de ditadura
diferente, comandada apenas pela hipocrisia e pelo capital financeiro
internacional. Também tende a ser uma tragédia, pois segue o mesmo receituário
de fome e desemprego aplicado na Grécia.
Já faz muito tempo que é uma heresia
chamar Marina Silva de ambientalista. Hoje, também, é ofensivo a qualquer
pessoa de bom senso, chamar o seu projeto de “nova política”.


1 comentários:
Toda eleição em XiqueXique
14/9/14 21:04É esse mesmo lenga-lenga
Ficam uns xingando os outros
De corno, sacrista e quenga
E todos só querem é mamar
E fazer parte de algum esquema
Tem gente em XiqueXique
Que matava cachorro a tapa
Se candidatou e foi eleito
Anda de paletó e gravata
Comprou dois carros do ano
E mansão de aristocrata
Só come surubim na brasa
Maxixe com patê de galinha
Carne de bode na maionese
Abóbora com batatinha
Buchada ao vinho tinto
Nambu seca e farofinha
Encontrei um desses políticos
Que veio logo me abraçando
Dizendo: amigo marrequeiro
Você faz parte do meu plano
Se me der votos lá na Marreca
Será nomeado ainda este ano.
Vou falar com o deputado
Pra você ir pra Salvador
Se me arranjar cem votos
Sai da Marreca feito um doutor
E quem sabe na Assembléia
Do deputado será assessor..
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