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A mídia tucana começa a transformar o juiz Sergio Moro em herói

12/28/2014


O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável pelos processos da investigação Lava Jato, tem sido transformado em herói pelo jornal O Globo, dos irmãos Marinho. O processo é semelhante ao qual passou Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Durante o julgamento da Ação Penal 470, Barbosa ganhou o prêmio 'Faz Diferença' do jornal e virou 'o menino pobre que mudou o Brasil' na capa da revista Veja de outubro de 2012.
 
Neste domingo 28, a coluna de Ancelmo Gois dá a ele o título de 'homem do ano'. "O juiz paranaense de 42 anos, ao comandar o processo da Lava-Jato, mostrou competência técnica e coragem cívica para meter o dedo numa das mais antigas feridas brasileiras, a corrupção, escancarando desta vez aqueles empresários que participam do jogo sujo e que tradicionalmente saem impunes", diz a nota do colunista.
 
Ele também foi eleito Personalidade do Ano, segundo enquete da Veja realizada no Twitter. Leia trecho de texto sobre Moro na revista, onde é chamado de "ídolo nacional":
 
O ano de Moro – Responsável pelas ações resultantes da Lava Jato em primeira instância, Sérgio Moro é hoje o magistrado mais respeitado pelos colegas na Justiça Federal. E também um ídolo nacional. Se a complexidade dos crimes investigados pela operação colocou o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba diante do maior desafio de sua carreira, representou também sua consagração. Moro venceu a corrida pelo título de Personalidade do Ano com 160.637 votos, ou 47% do total. Ficou à frente de personagens que se destacaram ao longo de 2014 no Brasil e no exterior – e que atuam em áreas tão diversas quanto música, cinema, política, economia, matemática, futebol e tecnologia.
 
Joaquim Barbosa foi mostrado como exemplo a ser seguido por diversos veículos da imprensa, mas seu comportamento, como magistrado, esteve longe do exemplar. No caso do chamado 'mensalão', o ministro colocou seus próprios interesses, de um possível futuro político, acima da lei. Como relator da AP 470, ele violou uma jurisprudência consagrada em tribunais superiores e agrediu vários colegas quando não predominava sua posição em plenário. A celebração e o culto a Barbosa foi um mau exemplo. E agora, a transformação midiática de Sérgio Moro em herói fará bem à democracia e ao próprio Judiciário?

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