O esforço que
parcela da sociedade brasileira faz para destruir o que o conjunto da nação
levou décadas para construir pode ser mensurado na quantidade de assuntos que
uma investigação policial traz a público.
No caso da Petrobras, a caça aos
corruptos – prática que deveria ser diuturna e silenciosa – torna-se um circo.
Aquela parcela de brasileiros que quer ver o esse circo pegar fogo, vaza
informações, dados, relatórios, dossiês secretos e o que mais os editores
adoram levar à distinta audiência, para analistas, blogueiros, palpiteiros,
colunistas e curiosos fazer picadinho no dia seguinte.
Uns apimentam, outros
tornam o caldo insosso e há aqueles que atribuem seja lá o que for à sanha
petista, quando não presumem que os comunistas estão no controle e planejam a
revolução iminente.
Se um marciano
desembarcasse hoje, no Brasil, e lesse qualquer um dos diários que
recebem bilhões de reais dos cofres públicos para descrever a realidade
nacional, imaginar-se-ia em plena guerra civil ou à beira de um cataclismo sem
precedentes nos campos econômico e político.
Óbvio que, nos minutos seguintes,
em um simples giro pelas principais capitais do país, perceberia outra
história: o brasileiro é, antes de tudo, um profissional. Amador não sobrevive
nessas terras por cinco minutos. O que está dito nas redes cartelizadas da
mídia é aquilo mesmo, embora não signifique exatamente o que quer dizer, ou
algo parecido. O jogo de interesses das mais diferentes camadas sociais é não
apenas extremamente intrincado como, para deixar tudo mais complexo, ainda
existe Minas Gerais.
Assim, quando
líderes daquela parcela que joga sujo e visa o golpe sobre a outra parte, esta
que acaba de vencer as eleições, saem em manifestações pela volta dos militares
ao poder – apoiadas por supostos artistas convictos da própria boçalidade e
amplamente cobertas no noticiário como coisa séria – o fazem com o
objetivo claro de minar a Democracia que os brasileiros de bem ergueram com
sangue, suor e lágrimas.
Sorte é que, como a atuação deles é bufa e caricata,
até os micróbios que aportaram junto com a nave daquele marciano percebem logo
que nada do que dizem os neonazistas de plantão merece crédito, apesar do
espaço que recebem na mídia conservadora, regiamente paga com recursos do
Erário.
Tudo bem. É
preciso ter paciência. Mas já estão indo longe demais. A ponto de um homem
chamar uma mulher, em público, de ‘vagabunda’ e lhe dizer, nas fuças de quem
estiver por perto, que não a estupra somente porque ela não merece, sem ganhar
sequer uma reprimenda por isso, no mínimo, ou um corretivo adequado, como
convém. Nem é crível que esse mesmo ser seja recebido em uma instalação
militar para fazer proselitismo do golpe de Estado
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O deputado Bolsonaro é recebido em uma instalação militar para pregar um movimento político de extrema direita
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Não bastasse o
absurdo da cena, que lembra um convescote na Alemanha nazista, as
declarações desse agente da ultradireita diante uma tropa uniformizada, de
oficiais e futuros oficiais do Exército Brasileiro, em uma instalação militar,
envergonham a Democracia.
Em um país que se rege pelas leis,o
mandato deste parlamentar deveria ser levado ao julgamento de seus pares,
no Plenário da Câmara, por quebra do decoro parlamentar e incitação ao golpe de
Estado. Cada um dos militares envolvidos nessa reunião tenebrosa, identificado
e afastado da farda, sumariamente, em condição vexatória. O comandante,
retirado de suas funções e levado à Corte Marcial, por permitir a
ocorrência de tais fatos em um quartel sob sua responsabilidade.
Vivamos no país dos absurdos. Problema
algum. Mas assim também já é demais.
Gilberto de Souza, jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil


1 comentários:
A impressa não cria o fato, ela apenas divulga....ha... tinhas esquecido que a culpa da roubalheira era da imprensa.
15/12/14 14:43Postar um comentário
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