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Até no país dos absurdos deve haver algum marco civilizatório

12/15/2014


 
 
O esforço que parcela da sociedade brasileira faz para destruir o que o conjunto da nação levou décadas para construir pode ser mensurado na quantidade de assuntos que uma investigação policial traz a público.
 
No caso da Petrobras, a caça aos corruptos – prática que deveria ser diuturna e silenciosa – torna-se um circo. Aquela parcela de brasileiros que quer ver o esse circo pegar fogo, vaza informações, dados, relatórios, dossiês secretos e o que mais os editores adoram levar à distinta audiência, para analistas, blogueiros, palpiteiros, colunistas e curiosos fazer picadinho no dia seguinte.
Uns apimentam, outros tornam o caldo insosso e há aqueles que atribuem seja lá o que for à sanha petista, quando não presumem que os comunistas estão no controle e planejam a revolução iminente.

Se um marciano desembarcasse hoje, no Brasil, e lesse qualquer um dos diários que recebem bilhões de reais dos cofres públicos para descrever a realidade nacional, imaginar-se-ia em plena guerra civil ou à beira de um cataclismo sem precedentes nos campos econômico e político.
 
Óbvio que, nos minutos seguintes, em um simples giro pelas principais capitais do país, perceberia outra história: o brasileiro é, antes de tudo, um profissional. Amador não sobrevive nessas terras por cinco minutos. O que está dito nas redes cartelizadas da mídia é aquilo mesmo, embora não signifique exatamente o que quer dizer, ou algo parecido. O jogo de interesses das mais diferentes camadas sociais é não apenas extremamente intrincado como, para deixar tudo mais complexo, ainda existe Minas Gerais.

Assim, quando líderes daquela parcela que joga sujo e visa o golpe sobre a outra parte, esta que acaba de vencer as eleições, saem em manifestações pela volta dos militares ao poder – apoiadas por supostos artistas convictos da própria boçalidade e amplamente cobertas no noticiário como coisa séria – o fazem com o objetivo claro de minar a Democracia que os brasileiros de bem ergueram com sangue, suor e lágrimas.
 
Sorte é que, como a atuação deles é bufa e caricata, até os micróbios que aportaram junto com a nave daquele marciano percebem logo que nada do que dizem os neonazistas de plantão merece crédito, apesar do espaço que recebem na mídia conservadora, regiamente paga com recursos do Erário.

Tudo bem. É preciso ter paciência. Mas já estão indo longe demais. A ponto de um homem chamar uma mulher, em público, de ‘vagabunda’ e lhe dizer, nas fuças de quem estiver por perto, que não a estupra somente porque ela não merece, sem ganhar sequer uma reprimenda por isso, no mínimo, ou um corretivo adequado, como convém. Nem é crível que esse mesmo ser seja recebido em uma instalação militar para fazer proselitismo do golpe de Estado

 
O deputado Bolsonaro é recebido em uma instalação militar para pregar um movimento político de extrema direita
 
 
Não bastasse o absurdo da cena, que lembra um convescote na Alemanha nazista, as declarações desse agente da ultradireita diante uma tropa uniformizada, de oficiais e futuros oficiais do Exército Brasileiro, em uma instalação militar, envergonham a Democracia.
 
Em um país que se rege pelas leis,o mandato deste parlamentar deveria ser levado ao julgamento de seus pares, no Plenário da Câmara, por quebra do decoro parlamentar e incitação ao golpe de Estado. Cada um dos militares envolvidos nessa reunião tenebrosa, identificado e afastado da farda, sumariamente, em condição vexatória. O comandante, retirado de suas funções e levado à Corte Marcial, por permitir a ocorrência de tais fatos em um quartel sob sua responsabilidade.

Vivamos no país dos absurdos. Problema algum. Mas assim também já é demais.



Gilberto de Souza,  jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil

1 comentários:

Anônimo disse...

A impressa não cria o fato, ela apenas divulga....ha... tinhas esquecido que a culpa da roubalheira era da imprensa.

15/12/14 14:43

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