"Esse ato de barbárie, além das lastimáveis
perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades
democráticas - a liberdade de imprensa", disse a Presidente brasileira,
numa nota em que considerou o ato como "terrorista".
Rousseff afirmou ainda que o momento é de "dor
e sofrimento" e estendeu as suas condolências aos familiares das vítimas.
"Quero expressar, igualmente, ao presidente Hollande e ao povo francês a
solidariedade de meu governo e da nação brasileira", acrescentou.
A França está de
luto. Espontaneamente, mais de 100 mil franceses saíram às ruas no final da
tarde desta quarta-feira, pelos quatro cantos do Hexágono, em torno da avenida Champs Elisées , sem uma manifestação
silenciosa, pacífica, mas carregada de emoção. Todos estampavam uma só
mensagem: “Je suis Charlie”, “Eu sou Charlie”.
Um dos tripés da
sociedade francesa foi brutalmente quebrado. A tão prezada “liberté” foi
assassinada quando dois atiradores invadiram a redação do semanário Charlie
Hebdo e mataram 12 pessoas, a maioria jornalistas, deixando outra dezena de
feridos.
O jornal Charlie Hebdo é um
dos principais símbolos da democracia francesa. Seus líderes estão agora mortos
por terem defendido ao extremo o direito da liberdade de expressão. Ironizavam
políticos e líderes religiosos com charges criativas. Morreram em uma vingança
pelo profeta Mohammed, como anunciaram covardemente os atiradores antes da
fuga.
Eles quiseram matar
Charlie, mas o tornaram imortal. O semanário é agora o mártir de uma sociedade
que, embora unida, se sente cada dia mais ameaçada. Dois dos suspeitos
continuam foragidos. Mas o maior temor é o do inimigo invisível, de uma
'islamofobia' palpável e crescente.
Ontem mesmo, do
Palácio do Eliseu, líderes religiosos se uniram em um comunicado para exprimir
revolta: “A vida humana é preciosa aos olhos de deus”.
Pela quinta vez na
história da França, o país decretou luto oficial. O ato foi convocado pelo
governo francês apenas nas mortes dos líderes políticos François Mitterrand,
Georges Pompidou, Charles de Gaulle, e após o atentado de 11 de setembro em
Nova York.
Hoje a França amanhece ferida, mas
mais combativa do que nunca. Je suis Charlie!
Das agências de notícias
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