Reportagem do
jornalista Luís Maklouf Carvalho mostra que apesar dos números expressivos das
manifestações desse domingo, 13, a história da presidente Dilma Rousseff mostra
que ela dificilmente irá renunciar ao cargo.
"A toalha
poderia ter sido jogada, uma primeira vez, quando sabia iminente a prisão, com
o primeiro marido, Galeno Linhares, ambos militantes de uma organização que
fazia ações armadas. Moravam em um apartamento/aparelho, no centro de Belo
Horizonte. Quando a polícia chegou, nem sombra do casal, que assim entrava na
clandestinidade, migrando para o Rio de Janeiro. A faculdade de Economia foi
trocada pela militância, primeiro na organização Comando de Libertação Nacional
(Colina), e depois na VAR-Palmares, uma fusão do Colina com a Vanguarda Popular
Revolucionária (a VPR, do capitão Carlos Lamarca). Vanda, Patrícia, Luiza ou
Estela, era uma militante dedicada e qualificada. Assumiu tarefas arriscadas –
como esconder em segurança armas e/ou dinheiro, ou viajar pelo Brasil fazendo
proselitismo da organização e das ideias em que acreditava – inclusive a das
ações armadas, no plano teórico, da qual depois recuou", afirma o
jornalista, em reportagem publicada no Estado de S. Paulo.
Outra oportunidade
em que Dilma Rousseff poderia ter "jogado a toalha", segundo Makouf,
foi durante o racha da VAR-Palmares. "O cerco se fechava, até internamente
–, mas ela escolheu o lado mais difícil, divergente do capitão Lamarca.
Atirou-se ainda mais na militância, seja na disputa com foice no escuro do
botim – as armas e os milhões – seja em organizar o rescaldo da VAR-Palmares
que sobrou", conta.
Makouf lembra ainda
outra chance em que a presidente Dilma se mostrou fiel ao que acreditava,
poucos antes dela ser presa, em 16 de janeiro de 1970. E mais recentemente,
quando resolveu que disputaria a reeleição à presidência.
"O símbolo dessa virada, até
hoje enevoada, foi colocar para escanteio, quando bem quis, o mais bem situado
olheiro de Lula, o ministro Gilberto Carvalho. Se comprou essa briga – que
continua dando muita dor de cabeça – é difícil que desista espontaneamente da
outra, pelo mandato para o qual foi eleita. A presidente é treinada e sambada
em luta interna de organizações clandestinas – valha-nos Deus. Já faz tempo,
mas é como andar de bicicleta: não dá pra esquecer", afirma.

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