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REJEITOS E LAMA DE BRUMADINHO NÃO ATINGIRAM O RIO SÃO FRANCISCO, GARANTE O GOVERNO DE MINAS GERAIS

6/10/2019



Relatório de uma expedição realizada por um conjunto de órgãos ambientais aponta que os rejeitos que vazaram na tragédia de Brumadinho (MG) não atingiram o Rio São Francisco. Mais de 4 mil dados e amostras foram coletados ao longo de aproximadamente 250 quilômetros de rios e lagos, segundo informou o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad).
“Os resultados obtidos até o momento permitem afirmar, com segurança técnica, que não há, até a presente data, evidências de que os rejeitos minerários oriundos do rompimento da barragem tenham ultrapassado os limites do reservatório de Retiro Baixo e atingido o lago de Três Marias e o Rio São Francisco”, registra nota divulgada pelo Igam.
A tragédia ocorreu no dia 25 de janeiro, quando uma barragem da Vale se rompeu. O rejeito que se propagou no ambiente chegou primeiro ao Córrego do Feijão, avançando posteriormente para o Rio Paraopeba. Desde então, órgãos ambientais vinham monitorando a possibilidade de que a lama alcançasse a Usina Hidrelétrica de Três Marias. No local, o Rio Paraopeba se encontra com o Rio São Francisco.
A expedição dos órgãos ambientais ocorreu entre os dias 9 e 16 de maio sob a coordenação da Polícia Federal. Além do Igam, enviaram técnicos e pesquisadores a Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), o Institut de Recherche pour le Développement (IRD) e a Universidade de Brasília (UnB).
Entre os dados coletados estão imagens de satélite, medições radiométricas e hidrológicas, amostras de água e sedimentos de fundo dos corpos hídricos. “Nos oito dias de trabalho de campo foram empregadas três aeronaves tripuladas, duas aeronaves remotamente pilotadas (drones), seis embarcações, 11 veículos terrestres, sensores espectrais, radiômetros e dois laboratórios de campanha. Integraram a equipe mais de 30 profissionais, entre pesquisadores, peritos criminais, analistas ambientais e técnicos de órgãos públicos e consultorias”, acrescenta o texto.
Fonte: EBC
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LAMA DE BRUMADINHO JÁ ATINGE A BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO

3/22/2019



A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou nesta sexta-feira (22) um relatório informando que a lama decorrente do rompimento de uma barragem de Vale em Brumadinho (MG), no mês de janeiro, chegou à Bacia do Rio São Francisco. Entre os dias 8 e 14 de março, a equipe da SOS Mata Atlântica realizou novas coletas de água no rio Paraopeba até o Alto São Francisco, sendo que 9 dessas coletas aconteceram dentro do Reservatório de 3 Marias. Ao todo, 210 pessoas morreram por causa da tragédia, a maior catástrofe ambiental da história do Brasil.
De acordo com a entidade, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos pela legislação.


"Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões elevados", divulgou a SOS Mata Atlântica.
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A MORTE DO RIO PARAOPEBA, AFLUENTE DO SÃO FRANCISCO

2/28/2019





Arrasado pela lama de rejeitos que vazou da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão da Vale, em Brumadinho, o Rio Paraopeba, um dos importantes afluentes do Rio São Francisco e que garante o abastecimento de 2,3 milhões de pessoas, incluindo habitantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte, tornou-se um “rio morto”, “sem condição de vida aquática e do uso da água pela população”. 

A tragédia ocorreu em 25 de janeiro e deixou até ontem 180 mortos e 130 desaparecidos. O estado do manancial é semelhante ao Rio Doce, devastado pelos rejeitos de minérios da Barragem do Fundão, da Samarco, em Mariana, em 5 de novembro de 2015.

A dramática situação do Rio Paraopeba é apontada pela especialista em recursos hídricos Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, que comandou uma expedição pelo Rio Paraopeba, no período de 31 de janeiro a 9 de fevereiro, a fim de averiguar os impactos da lama de minérios da barragem de Brumadinho na bacia.

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Ainda há riscos da lama de Brumadinho atingir o Rio São Francisco

2/26/2019


A lama decorrente do rompimento de um reservatório de rejeitos da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), há 30 dias, poluiu a represa da hidrelétrica de Retiro Baixo e segue em direção ao lago da represa de Três Marias, uma das maiores da Região Sudeste.

Há riscos dos rejeitos atingirem o rio São Francisco que fica próximo à represa de Três Marias. 

O São Francisco  percorre cinco estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e sua bacia envolve 521 municípios distribuídos em sete estados. 


As previsões do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, se confirmaram e o governo poderá determinar a paralisação parcial da usina hidrelétrica, na tentativa de impedir que os rejeitos cheguem ao Rio São Francisco.
Em reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados de monitoramento do desastre, na véspera, Canuto lembrou que a barragem de rejeito de minérios se rompeu no fim de janeiro deixando um mar de lama e destruição na cidade mineira. Até a última quarta-feira, foram confirmadas 171 mortes; mas ainda há 141 pessoas desaparecidas.
Na roça
A água do rio Paraopebas, que alimenta a usina de Retiro Baixo, está completamente tomada pela lama. Moradores de cidades mineiras que usavam o manancial para abastecimento, ainda sofrem com a tragédia.
Quando a água começou a mudar de cor, o produtor rural Charles Constantino Barreto desmontou o sistema de irrigação correndo.
— Não tenho coragem de pôr a mão nessa água mais. E não vou deixar nenhum companheiro meu pôr a mão nela aqui para molhar alguma coisa dentro da roça. A gente não sabe o que tem dentro dela — disse, a jornalistas.
Turbidez
A água do Paraopeba era fundamental na irrigação dos 150 mil pés de banana na fazenda de Charles, que fica a mais de 60 quilômetros em linha reta de onde a lama caiu no rio Paraopeba.
No dia do rompimento, 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério desceram pelo vale no pé da mina de Córrego do Feijão e arrasaram tudo que estava no caminho; sete quilômetros adiante a lama caiu no Rio Paraopeba.
A lama chegou a bloquear a passagem da água, mas foi se diluindo aos poucos e seguiu a correnteza, manchando o rio com uma cor de chocolate. As primeiras análises da água, em Brumadinho, apontaram um índice de 63 mil NTUs, que mede a turbidez da água, 630 vezes acima do aceitável.

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OUTRA VEZ NÃO, VALE

2/17/2019





Ontem, sábado 16, moradores de Nova Lima, área metropolitana de Belo Horizonte - Minas Gerais - foram  evacuados de zona de risco da barragem, Mina Mar  Azul estourar. De acordo com o corpo de bombeiros, a medida é preventiva.

Desta vez a sirene de evacuação tocou, vídeos foram postados mostrando o trabalho dos bombeiros em noite chuvosa.  Segundo informações preliminares de sites da região, duas barragens correm risco de estourar, uma de água e outra de rejeito.

Terceira sirene tocando e risco de barragem estourar sobe para nível 2. Cerca de duzentas pessoas foram  retiradas da cidade. 

A barragem tem aproximadamente 3 milhões de metros cúbicos de rejeito com estrutura à montante. Até o início da noite, ela estava no nível 1 em risco de rompimento, mas foi modificada para nível 2, seguindo o protocolo de segurança.

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Afluente do rio São Francisco está com água contaminada

2/01/2019



Uso da água para qualquer finalidade é desaconselhado até que a situação seja normalizada. Rio tem metais pesados e traz risco à saúde.

O uso da água do rio Paraopeba, contaminado após o rompimento da barragem Mina do Feijão em Brumadinho (MG), deixou de ser recomendado nesta quinta-feira (31) pelo governo de Minas Gerais. 
Em nota,  as Secretarias de Estado de Saúde (SES-MG), de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) informaram que a água do rio "apresenta riscos à saúde humana e animal" e que "não indicam a utilização da água bruta do rio Paraopeba para qualquer finalidade".
A SES-MG recomendou ainda às equipes de bombeiros que estão trabalhando na busca e resgate na área utilizarem "todos os equipamentos de segurança".

Segundo a nota, para garantir o abastecimento de água às populações locais, o governo de Minas Gerais determinou que a Vale forneça água potável para as comunidades atingidas. O monitoramento inicial realizado pelo governo indica que a contaminação do rio afeta a população de um total de 20 municípios.
O texto aconselha as pessoas que apresentaram sintomas de doenças a procurarem ajuda médica: "Qualquer pessoa que tenha tido contato com a água bruta do Rio Paraopeba – após a chegada da pluma de rejeitos – ou ingerido alimentos que também tiveram esse contato, e apresentar náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tonteira, ou outros sintomas, deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar sobre esse contato".
O Paraopeba é um dos principais afluentes do rio São Francisco. A nascente está localizada ao sul do município de Cristiano Otoni e a foz, na represa de Três Marias, no município de Felixlândia, ambos em Minas Gerais. A extensão do rio é de 510 km, e sua bacia abrange 13 643 km² em 35 municípios.

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EUROPA (UE) OFERECE AJUDA TÉCNICA E HUMANITÁRIA A BRUMADINHO

1/29/2019




A União Europeia ofereceu hoje (28) assistência técnica e humanitária para as ações executadas na região de Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte (MG), após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. Há três dias, a àrea foi soterrada por um mar de lama. A Defesa Civil de Minas Gerais confirmou 65 mortes. Segundo os dados mais recentes, há 279 pessoas desaparecidas.

 “A União Europeia e seus Estados-Membros reiteram sua disponibilidade em prover assistência técnica e humanitária, caso solicitada pelas autoridades governamentais brasileiras."

Em comunicado, a União Europeia prestou solidariedade às vítimas e autoridades. "A União Europeia e seus Estados-Membros expressam sua maior consternação e solidariedade ao povo e às autoridades brasileiras diante da devastadora tragédia humana e ambiental resultante do rompimento da barragem Mina do Feijão, na cidade de Brumadinho [Minas Gerais].”

Trabalham hoje no resgate 290 militares, sendo 120 de MG e os demais de SP, RJ, ES, GO e AL.

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PRESOS ENGENHEIROS QUE ATESTARAM SEGURANÇA EM BRUMADINHO



O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil do estado cumpriram na manhã desta terça-feira (29) dois mandados de prisão expedidos pela Justiça Estadual de Minas Gerais contra engenheiros que atestaram a segurança da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), que se rompeu na última sexta-feira. Em Minas, foram cumpridos outros três mandados de prisão.

Na noite de segunda-feira (28), a Defesa Civil de Minas Gerais informou que há 65 mortos e 279 desaparecidos após a tragédia provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, na região metropolitana de Belo Horizonte. Nesta terça-feira, começa o quinto dia de buscas no local.

A prisão dos engenheiros Makoto Namba e André Yum Yassuda em São Paulo ocorreu nos bairros de Moema e Vila Mariana, Zona Sul da cidade. Eles foram levados para a sede da Polícia Civil. As ordens são de prisão temporária, com validade de 30 dias, e foram expedidas pela Justiça no domingo. A reportagem tenta contato com a defesa dos presos.

As ações em São Paulo, parte de uma operação que também se desenvolve em Minas Gerais, são coordenadas por promotores do núcleo da capital do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de São Paulo, e pelo Departamento de Capturas (Decade) da Polícia Civil paulista.

SUSPEITA DE DOCUMENTOS FRAUDADOS

A Polícia Federal em São Paulo também participa da operação e cumpre, neste momento, dois mandados de busca e apreensão em empresas que prestaram serviços para a Vale. O nome das empresas ainda não foi divulgado.

Os investigadores do Ministério Público e da polícia apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, foram, de alguma maneira, fraudados.

Toda a operação é coordenada por policiais, promotores e procuradores de Minas Gerais. A força-tarefa envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Estadual e Federal e a Polícia Civil.

A pergunta que se faz:  O presidente e demais executivos da Vale vão ser imediatamente presos?



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RIO SÃO FRANCISCO SERÁ ATINGIDO POR LAMA DE BRUMADINHO




A lama de rejeitos de minério de ferro da Vale que rompeu a barragem do feijão deverá atingir o rio São Francisco a partir do dia 15 de fevereiro.
A lama com os rejeitos de minério de ferro da barragem da Vale que rompeu na última sexta-feira (25) em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), deve chegar à usina hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, entre os dias 15 e 20 de fevereiro.

A previsão consta em um boletim de monitoramento do rio Paraopeba divulgado nesta segunda pelo CPRM (Serviço Geológico do Brasil), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

O rio Paraopeba, que passa por Brumadinho e carrega a lama com os rejeitos é um dos principais afluentes do São Francisco.

Antes de chegar à Três Marias, usina administrada pela Cemig, a lama, que se desloca a 1 km/h, deve passar pela região de São José da Varginha nesta terça-feira e pela hidrelétrica de Retiro Baixo, operada por Furnas, entre 5 e 10 de fevereiro.
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É a primeira vez que a informação de que a lama chegará ao São Francisco se baseia nas condições verificadas pelos pesquisadores no final da manhã de segunda-feira, é divulgada por um órgão governamental.

No domingo, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, chegou a afirmar que a probabilidade da lama alcançar o São Francisco era reduzida. Segundo ele, a expectativa era que a chegada dos rejeitos à usina de Retiro Baixo amortecesse o escoamento da lama. Ainda há 292 desaparecidos. 

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Tragédia de Brumadinho: Em qualquer lugar do mundo executivos da Vale estariam presos

1/28/2019




O maior desastre ambiental na área de mineração do mundo aconteceu no município de Mariana, Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015. Os responsáveis foram a empresa Samarco,controlada pela Vale, em sociedade com a anglo-australiana BHP Billiton. A barragem que se rompeu provocou uma enxurrada de lama tóxica, que dizimou o distrito de Bento Rodrigues e deixou19 mortos, além de devastar a bacia hidrográfica do Rio Doce, matar a vida aquática e acabar com o turismo e subsistência de milhares de pessoas.

A Vale conseguiu a façanha de destruir um rio, que nem a mineração na região, onde está localizada Ouro Preto, foi capaz ao longo de 300 anos de exploração do ouro. Pouco mais de três anos após o incidente, a Vale volta a matar. Repetiu o mesmo erro em outra barragem, em Brumadinho, Minas Gerais. Desta vez, porém, o número de vidas sacrificadas foi muito maior. Nas primeiras 48 horas foram confirmadas 60 mortes e centenas de pessoas desaparecidas.

Após a tragédia de Mariana, a Vale criou a Fundação Renova, que se demonstrou pouco eficaz. As vítimas, que perderam suas moradias e familiares dos mortos, não foram totalmente indenizadas. A lama tóxica continua no mesmo lugar e o Rio Doce continua praticamente morto. Uma das líderes das comunidades ribeirinhas, Maria Auxiliadora de Fátima, diz que foi preciso lutar muito para conseguir alguma reparação. "Se não tivéssemos batalhado, não receberíamos nada". Ninguém foi preso e punido como deveria.

Em qualquer país sério agentes públicos responsáveis e os executivos da empresa estariam presos. No mínimo a companhia já deveria ter pago multas bilionárias, o que não ocorreu. Aqui os envolvidos posam como se uma tragédia anterior não tivesse ocorrido. Dão entrevistas como se eles fossem também as vítimas do acidente. Ao invés de buscar soluções reais, a Vale aproveitou da tragédia para lucrar. Usou a Renova para ganhar tempo com as autoridades, recusando-se a cumprir o acordo fechado com o Ministério Público Estadual e levando a disputa para o lento caminho judicial.

O objetivo era deixar as ações da Samarco despencarem de valor para comprar a parte da sócia. Ironicamente, apesar do desastre ter acontecido aqui no Brasil, a BHP Billiton está sofrendo consequências da duras leis ambientais em seus países de origem, Reino Unido e Austrália. Com a Vale, porém, não foi o que aconteceu. Em matéria assinada por José Casado, veiculada em O Globo, o jornalista informa que a Vale concluiu a compra da parte da sócia estrangeira, mas as empresas não confirmaram o negócio. A Samarco continua fechada, o que facilita para a Vale não pagar indenizações e valorizar sua produção em Carajás.



IMPUNIDADE



A tragédia em Brumadinho é resultado, em primeiro lugar, da impunidade do desastre de Mariana. E também de anos de um Estado ausente, incompetente e corrupto. A começar pelo Governo Federal, dominado pela corrupção sistêmica nos últimos anos do PT e MDB. Há de se ressaltar que o defeito da Vale começou lá atrás na privatização malfeita durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entregue praticamente de graça à iniciativa privada, mas ainda com grande participação do Estado, que não assume as suas responsabilidades perante os desastres.

Ainda é resultado da falência de Minas Gerais pelos governos do PSDB (Aécio Neves e Antônio Anastasia) e do PT (Fernando Pimentel).Tanto que um empresário desconhecido acabou se elegendo governador, Romeu Zema. 

Sob o governo de Michel Temer, que tinha como ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, a Vale continuou protegida, apesar do primoroso relatório do Comitê Interfederativo, criado para tratar da reparação da tragédia, que estipulava severas punições e ações eficazes, mas que não foram executadas. Esta será a primeira oportunidade de Bolsonaro e Zema provarem que são diferentes dos governos anteriores, que falharam vergonhosamente. Está no alcance deles providências como acionar as instituições de todos os poderes para obrigar a Vale e os responsáveis a responderem pelo crime, pagar o que devem e restaurarem o meio ambiente. O governo federal pode também intervir na empresa porque possui ações com poder de decisão.

Está claro que não foi promovida manutenção adequada pela Vale nas barragens rompidas. Aliás, o tipo de barragem escolhida pela empresa é a mais barata e perigosa, porque é apenas um aterro de terra que cede com o tempo. É assustador lembrar que só em Minas existem mais de 500 barragens. Segundo o engenheiro ambiental ouvido por este colunista, há soluções seguras e que não armazenam a lama tóxica, a água é tratada antes de voltar ao meio ambiente. É possível a exploração do minério com baixo impacto ambiental, mas isso requer tecnologia e custos.

Para limpar e manter todo o Rio Doce limpo, com água potável e a volta dos peixes, o presidente da Vale tem na mesa o orçamento de um projeto de 3 bilhões de reais, com respaldo técnico do CIF, mas que a empresa não quer assumir. Não só o Executivo, mas o legislativo e a Justiça também são cúmplices. Não se viu um parlamentar, da esquerda à direita, fazer um discurso mais duro e tomar uma medida eficaz contra a Vale.Todas as iniciativas para aprovar leis que impõem obrigações, melhoram a segurança e aumentam a punição não avançaram.Talvez porque muitos políticos recebam fortunas das mineradoras para suas campanhas eleitorais.



Agora é a oportunidade para os novos parlamentares mostrarem serviço e fazerem alguma coisa.O Estado do Espírito Santo, onde está a sede da Samarco, também lavou as mãos. O Secretário de Meio Ambiente disse que é um problema de Minas Gerais, apesar do Rio Doce atravessar o Estado.Parte da imprensa, principalmente a de Minas, também tem a sua parcela de culpa, ao se curvar às verbas publicitárias da Vale, e não revelar a verdade nua e crua. Em Minas os principais órgãos de comunicação de Belo Horizonte são de propriedade de políticos e empresários que atuam no setor. Diante dessa cumplicidade toda, o Rio Doce permanece contaminado, as vítimas continuam reclamando nos tribunais seus direitos, e a flora e fauna seguem agonizando.

De que adianta o Brasil ter assinado o Acordo de Paris, ter uma das melhores leis ambientais do mundo, se na prática não funciona a contento? A água doce é considerada o petróleo do Século XXI porque é essencial à vida e está desaparecendo do Planeta. Apenas 2,5%das águas da Terra são potáveis, e a maior quantidade (12%) está no Brasil, onde os rios estão secando em sequência. As maiores ameaças são as mineradoras, assassinas de rios e vidas. Algo precisa ser feito urgentemente antes que seja tarde. Bem que o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, que nasceu em Itabira, Minas Gerais, (onde começou a Vale do Rio Doce, que ironicamente antes de matar o rio tirou o "Rio Doce" do nome) nos avisou décadas atrás: O Rio? É Doce; A Vale? Amarga.


Por Francisco Câmpera, jornalista nascido em Minas Gerais, comentarista nas Rádios Tupi Rio e Super Rádio em São Paulo.

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Tragédia de Brumadinho: Afastado risco de rompimento da outra barragem as buscas são retomadas

1/27/2019



As buscas por sobreviventes em Brumadinho (MG) foram retomadas na tarde deste domingo após não haver mais risco de rompimento da barragem 6, que fica ao lado da barragem 1 da Mina do Feijão, que se rompeu na sexta-feira.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os moradores desalojados após a sirene de alerta ter sido acionada já podem voltar para suas casas. Cerca de 3 mil pessoas foram levadas para a região mais alta da cidade.

Segundo o último boletim da Defesa Civil de Minas Gerais, divulgado no início da tarde deste domingo, 361 pessoas foram localizadas, 192 foram resgatadas da lama e 287 continuam desaparecidas. Já foram registradas 37 mortes. O Corpo de Bombeiros vai divulgar ainda hoje uma lista unificada com o nome dos desaparecidos.

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Tragédia de Brumadinho: Funcionários da Vale morreram soterrados em ônibus

1/26/2019




O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, por meio da sua assessoria de comunicação, divulgou novos números da tragédia de Brumadinho na madrugada deste sábado. 

De acordo com a corporação, a quantidade de desaparecidos pode chegar até 355 pessoas. O comitê de crise do governo estadual trabalhava com um número potencial de 150 cidadãos sumidos - a metade informada pelos bombeiros. 

A corporação informou, ainda, mais dois óbitos no local. Com isso, já são pelo menos nove pessoas que perderam a vida na tragédia.

Um  ônibus foi  soterrado por lama em Brumadinho e seus  ocupantes estão mortos. Na manhã deste sábado foi localizdo um ônibus que transportava funcionários da Vale,  soterrado pelo mar de lama . 

Todos os seus ocupantes estão mortos.

A Vale terá mais R$ 5 bilhões retidos por uma nova decisão Judicial, obtida desta vez em ação do Ministério Público de Minas Gerais. De acordo com o MP, os recursos são para garantir a adoção de medidas emergenciais em defesa do meio ambiente.

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