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'DIRETO NA JUGULAR', DISSE PROCURADOR AO DEFENDER USAR MORTE DE DONA MARISA PARA ATACAR LULA

6/15/2019

Novo conteúdo divulgado pelo The Intercept mostra os procuradores preparando a estratégia de ataque contra o Lula; covardemente, ele escolheram a morte da esposa do ex-presidente, Marisa Letícia, como alvo da nota que iria direcionar as manchetes dos meios de comunicação; "Eu iria direto na jugular", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao defender a proposta no grupo de procuradores.


Trechos inéditos das conversas entre o então juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato de Curitiba foram divulgados pelo The Intercept nesta sexta-feira (14). O novo conteúdo mostra os procuradores preparando a estratégia de ataque contra o Lula. Um dos alvos usados foi a esposa do ex-presidente, Marisa Letícia, que já havia falecido.
A menção à Dona Marisa seria feita na nota oficial que o Ministério Público iria emitir à imprensa. "Eu iria direto na jugular", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em uma das conversas no grupo de procuradores.
Santos Lima foi quem recebeu as ordens de Sergio Moro para que o MPF publicasse uma nota. Na conversa com os procuradores, Santos Lima ditou a narrativa que foi usada por diversos veículos da mídia. "Eu iria direto na jugular, falando que culpar quem morreu é uma tática velha de defesa", escreveu ele, que minutos antes havia dito que "se fosse para falar" seria do jeito dele, ou seja, tentando criar a tese que que para se esquivar das acusações, Lula citou a ex-mulher que morreu vítima de um AVC.
Inicialmente, a estratégia de Santos Lima não convenceu os demais procuradores. "Ele não reconheceu os crimes e colocou nas costas dela... ele apenas disse que ela que tratou disso e que ela mesma não ia comprar no fim... qto ao item apreendido, pulou fora. Vcs que estavam lá podem avaliar melhor, mas pelo pouco que vi não me pareceu que foi isso. Foi?", disse Deltan Dallagnol.
Mas a tese prevaleceu e a narrativa foi traçada pelo procurador Julio Noronha: "... Quanto às muitas contradições verificadas no interrogatório do ex-Presidente Lula, à imputação de atos à sua falecida esposa, à confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e à ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente, no processo, especialmente nas alegações finais", rascunhou o procurador para aprovação dos demais.

O texto final da nota do MPF trouxe a menção de Marisa, sendo manchete de diversos veículos de comunicação.
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A ORDEM VINDA DE DENTRO E DE FORA É PARA MANTER LULA NA PRISÃO A QUALQUER CUSTO

4/28/2018




Manter Lula preso para impedí-lo de concorrer às próximas eleições e voltar à Presidência da República, é a obsessão da Globo. Mas por que não querem que ele volte a ser Presidente? A resposta é simples: porque os norte-americanos e a famigerada Globo não querem.

Por que? Os norte-americanos porque sabem que com Lula no poder não conseguirão mais saquear o Brasil, como estão fazendo desde que Temer assumiu o governo; e a Globo porque sabe que com Lula no Planalto terá sua sobrevivência em perigo, já que desta vez, se voltar ao governo, ele fará o que deveria ter feito desde o seu primeiro mandato: a regulação da mídia. E os irmãos Marinho podem perder a concessão da televisão.

Por isso, diante da possível vitória de Lula já no primeiro turno, considerando sua liderança na preferência do eleitorado, é que os prepostos dos norte-americanos infiltrados nos três poderes, especialmente no Judiciário, e a mídia, com a Globo à frente, aceleraram suas ações para tirá-lo da vida pública antes das eleições presidenciais deste ano. Mas ainda tem muita água para correr debaixo da ponte.
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Duas pessoas feridas a tiros no atentado contra o acampamento pró-Lula em Curitiba


Integrantes do acampamento realizam manifestação para denunciar ataque sofrido na madrugada deste sábado (28 abril)

O acampamento localizado no bairro Santa Cândida, em Curitiba, onde dormem integrantes da vigília Lula Livre, foi atacado a tiros por volta das quatro horas da madrugada do sábado 28. Duas pessoas foram feridas, uma delas está hospitalizada.

Jeferson Lima de Menezes, de São Paulo, foi prontamente encaminhado ao hospital com um tiro no pescoço. A autoria do ataque a tiros ainda não foi identificada até o momento.

Segundo informações de pessoas que estavam no acampamento havia movimentação de carros passando em frente ao local desde às duas da madrugada, gritando palavras de ordem a Jair Bolsonaro.

Após o ataque, segundo informações da vigília, os integrantes do acampamento realizaram uma manifestação em uma rua próxima para denunciar o atentado e o "estado de exceção que fere o direito de mobilização do grupo", além disso os acampados pediram agilidade por parte da Polícia e Justiça.






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COMEÇOU FURAR A PANELA DE CURITIBA

4/25/2018


É cedo para analisar o impacto da decisão do STF de retirar de Sergio Moro trechos da delação da Odebrecht que citam Lula, incluídos aí os processos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula.
Não haveria, entenderam os ministros da Segunda Turma num placar de 3 a 2, causa e efeito entre as denúncias e as supostas vantagens recebidas no alegado esquema.
Pela reação da Lava Jato, ou ausência dela, o baque foi sentido.
“O Juiz federal Sergio Fernando Moro não irá se manifestar sobre este assunto”, disse em nota a assessoria da Justiça Federal no Paraná.
A “força-tarefa” ainda está analisando o quadro e a PGR destacou que vai analisar se recorrerá da decisão.
A defesa de Lula, por seu lado, foi rápida.
“A decisão proferida pela Segunda Turma do STF confirma o que sempre foi dito pela defesa do ex-Presidente Lula. Não há qualquer elemento concreto que possa justificar a competência da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba nos processos envolvendo o ex-presidente”, declarou Cristiano Zanin Martins.
“Entendemos que essa decisão da Suprema Corte faz cessar de uma vez por todas o juízo de exceção criado para Lula em Curitiba, impondo a remessa das ações que lá tramitam para São Paulo”.
Em 2016, Paulo Sérgio Leite Fernandes, decano dos advogados criminalistas de São Paulo, definiu Lula como o “troféu de caça” de Moro.
Sergio Moro se fez em cima do seu adversário político.
Graças à sua Nêmesis, (deusa da vingança) virou capa de revista, ganhou prêmio da Globo, dá palestra dia sim, dia sim também  nos EUA, é ovacionado em shows de rock, virou heroi de sua gente do sul do Brasil.
Sem Lula, ele e os Dallagnois perdem a razão de ser e o rico filão que exploram se evapora.
A juíza Carolina Lebbos - que só podia ser também   de Curitiba -  já aprendeu o jogo e veta todos os visitantes na sede da PF. Está adorando cada minuto de fama e de “rigorosa”.
Foi a maior derrota até o momento para a panela curitibana, uma aberração jurídica que resulta, por exemplo, em juízes paranaenses sugerindo “cusparadas no meio da fuça” de senadoras.
Passou da hora dos cultuadores dessa “rebuscada e caprichosa desumanidade”, nas palavras de Rui Barbosa, saberem que não são intocáveis. 
Que seja apenas o começo.

Diário do Centro do Mundo (DCM)

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Golpe custou 1,5 milhão de empregos ao Brasil

9/16/2016


Esse foi o preço pago pela população brasileira pela aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que paralisou o País com a política do "quanto pior, melhor", colocada em marcha para criar as condições para o afastamento da presidente Dilma Rousseff; dados foram divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e representam o pior resultado desde 1985; além da perda de postos de trabalho, houve ainda uma queda de 2,56% na renda média dos trabalhadores; no início de 2015, um dos líderes do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman, indicou o caminho, ao dizer que o impeachment só viria se houvesse deterioração econômica – ou seja, "quanto pior, melhor"




A política do "quanto pior, melhor", colocada em marcha pela aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais de 2014, e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), viabilizou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas custou muito caro para a sociedade brasileira.

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho revelam que foram perdidos 1,5 milhão de empregos com carteira assinada em 2015, primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que enfrentou um Congresso paralisado pelo agenda do impeachment e das pautas-bomba.

O resultado foi o pior desde 1985. Com isso, o Brasil terminou 2015 com um total de 48,061 milhões de empregos com carteira assinada – abaixo de 2014 e de 2013. O rendimento real (ajustado pela inflação) do trabalhador brasileiro, em média, caiu de R$ 2.725,28, em 2014, para R$ 2.655,60, em 2015. Isso representa uma queda de 2,56% no rendimento.

No início de 2015, um dos líderes do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman, indicou o caminho para o "quanto pior, melhor", ao dizer que o impeachment só viria se houvesse deterioração econômica. “Sobra o caminho legal do impedimento, que só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e políticas persistirem a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática”, disse ele (relembre aqui). 
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Filmes e documentários registram para o mundo o golpe parlamentar em curso no Brasil

8/30/2016


Cineastas que filmam os momentos finais do impeachment são alvos de ataques e calúnias de blogs que tentam blindar os atores que encenam o ato final do processo no Senado; a antropóloga e documentarista Petra Costa criticou o desconhecimento que existe sobre o gênero documentário; "A alucinação chega a tal ponto de alguns dizerem que Dilma adotará tom emotivo no Senado só para ficar melhor no nosso filme", desabafou; diante da polêmica, a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) foi às redes sociais defender o direito das futuras gerações de conhecerem os personagens da trama: “Golpistas reclamam das equipes de filmagem porque não querem o golpe registrado na história. Mas vai ter documentário com a carinha deles sim”; pelo menos quatro documentários sobre o golpe estão em produção



Pelo menos quatro documentários estão em fase de produção sobre o golpe contra a presidente Dilma Rousseff (PT) cujo ato final está em pleno curso no Senado Federal. A presença de equipes de filmagens e de documentaristas consagrados tem incomodado os senadores, em especial aos que apoiam o impeachment. O constrangimento que as filmagens tem causado nos golpistas foi motivo de um comentários da senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) e de Petra Costa.

Gleisi foi ao microblog Twitter para sugerir que o ataque à democracia em marcha no Congresso Nacional será julgado pela história e pelas gerações futuras, que terão à disposição grandes reportagens cuidadosamente coordenadas. “Golpistas reclamam das equipes de filmagem porque não querem o golpe registrado na história. Mas vai ter documentário com a carinha deles sim”, escreveu.

Petra Costa, antropóloga, atriz e cineasta, com dezenas de prêmios no currículo, passou a ser alvo de ataques dos que apoiam o golpe, que acusam sua obra de ser um libelo em favor de Dilma. A artista teve de vir a público para defender sua liberdade de registrar o momento histórico de acordo com seu olhar: “Nas últimas semanas temos sido vítimas de calúnias em diversos veículos de comunicação, o que só revela o desconhecimento que existe sobre o gênero documentário. A alucinação chega a tal ponto de alguns dizerem que Dilma adotará tom emotivo no Senado só para ficar melhor no nosso filme!”, escreveu.

Petra registra que trabalha no documentário desde março, registrando um “momento histórico e tão delicado da nossa jovem democracia”. Ela revelou que tem entrevistado parlamentares de oposição e da base, advogados de defesa e de acusação e registrado protestos pró e contra o impeachment.

Citando o cineasta Patricio Guzman, ela reafirmou que um país sem documentários é como uma casa sem álbum de retratos. “O filme nasceu de um desejo de compreender como os bastidores da política, tão distantes do dia a dia do brasileiro (fisicamente, inclusive), estão impactando nossa sociedade, e vice-versa.”

Ela ainda critica a revista Veja: “A reportagem publicada em Veja, a qual cita o documentário que estou dirigindo, provisoriamente chamado “Impeachment”, incorre em erros que levam a desqualificar o meu trabalho. Equívocos que foram replicados em postagem feita pelo jornalista Reinaldo Azevedo. Em entrevista publicada na íntegra no site da revista, é possível compreender que não estamos participando de nenhum jogo de cena e que o texto da versão impressa não foi fiel as minhas declarações.”

Segundo o site do El Pais, pelo menos outros três produções sobre o atual momento político brasileiro estão em fase de produção. A paulista Anna Muylaert é roteirista e produtora de um documentário que será dirigido por Lo Politi, reconhecida diretora de publicidade, cujo foco principal e a presidente Dilma. O que a dupla quer com o filme é registrar o que serão possivelmente os últimos dias de Dilma no Governo, retirada da presidência e colocada à espera na rotina do Palácio da Alvorada, até a decisão final do Congresso. Ainda sem nome, o projeto foi apelidado por senadores e deputados de Será que ela volta?, pergunta pertinente que ainda por cima homenageia o longa de Anna.

O carioca Douglas Duarte planeja um filme que retrate o Congresso Nacional e a brasiliense Maria Augusta Ramos passou a filmar os acontecimentos políticos na Capital Federal a partir da votação do impeachment na Câmara, com os deputados votando por suas mães, seus filhos e outros parentes.
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Para defender a democracia, Dilma enfrenta seu segundo tribunal

8/29/2016


Presidente afastada enfrenta nesta segunda-feira (29) o seu segundo interrogatório em defesa da democracia brasileira; corte de exceção da vez é o Senado da República, cujos integrantes seguem fielmente o roteiro já determinado do golpe, em um impeachment sem crime; é impossível não associar a inquirição atual àquela de novembro de 1970, no Rio de Janeiro, onde a jovem Dilma, com 22 anos, após 22 dias de tortura nos cárceres da ditadura, era interpelada por uma junta de covardes uniformizados, com as mãos sobre os rostos para esconder suas identidade


A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) encara nesta segunda-feira (29) o seu segundo interrogatório em defesa da democracia brasileira. O tribunal da vez é o Senado da República, que deveria ser o bastião de liberdade, mas que sombriamente tornou-se nos últimos dias uma praça de exceção, dentro de um roteiro já determinado do golpe contra a presidente e ao menos 54,5 milhões de brasileiros que a nela depositaram seus votos nas últimas eleições.

É impossível não associar o interrogatório desta segunda-feira àquele de novembro de 1970, no Rio de Janeiro, onde a jovem Dilma, com 22 anos, após 22 dias de tortura incessante nos cárceres da ditadura, era interrogada por uma junta de covardes uniformizados, com as mãos sobre os rostos na tentativa de esconder suas vergonhas. Aquele interrogatório, como este, será inscrito nos livros como dois dos episódios mais repugnantes da história brasileira.

O que diferencia os dois tribunais é a evolução do cinismo daqueles que, hoje no Senado, assemelham-se aos personagens de 1964. Saíram das sombras e hoje mostram as faces sem rubor, seguidos de uma horda de traidores que dançam conforme a música do golpe tocada no Palácio do Jaburu, quartel general do arbítrio contemporâneo.

Dilma hoje representa a figura da decência em um mar de iniquidade. Reflete o Brasil que é visto com alegria e potencial de transformações sociais no mundo. Sua deposição, ao contrário, constrange os golpistas e macula o nação aos olhos internacionais. O golpe é descrito com precisão nos jornais francês L’Humanité como o golpe do colarinho branco e mesmo no norte-americano The New York Times como um ataque de ratos contra uma Dilma acuada.

Dilma, ao enfrentar seus algozes pela segunda vez, novamente de peito aberto, refaz a jornada da heroína em um roteiro capaz de esculpir um mito de resistência democrática. Assim será ela descrita na história.

Há o risco, porém, de que a sessão do Senado se transforme novamente em um circo, uma tentativa de turvar a lente da história. Reunidos, os golpistas falam em recepção respeitosa e em liturgia; tentam atribuir a baderna que se tornou o Senado aos defensores da presidente afastada. Não admitirão sequer a menção da palavra golpe, por ninguém.  Estão dando a senha de que a sessão será propositalmente tumultuada.

 O mas histriônico dentre os golpistas, Ronaldo Caiado (DEM-GO), já ensaia sua ode de provocação. Revelou, em tom de basófia, que pretende cantar “Amanhã vai ser outro dia...”, de Chico Buarque, um hino contra a ditadura. Chico estará na galeria, com Lula, entre os convidados da presidente.
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Luis Fernando Verissimo: brasileiros foram feitos de palhaços

8/28/2016




"Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha", diz o escritor Luis Fernando Verissimo, um dos maiores intelectuais brasileiros; "Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!"; neste fim de semana, os jornais Le Monde e New York Times ridicularizam o Brasil; no jornal francês, o impeachment foi chamado de golpe ou farsa; no NYT, Dilma é devorada por ratos; Verissimo faz ainda um lembrete: "evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós"

A tragicomédia brasileira de 2016, em que a presidente honesta é afastada por políticos corruptos, por meio de um golpe parlamentar, foi retratada pelo escritor Luis Fernando Verissimo, no artigo Ri, palhaço.

"Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal", diz ele.

"O Eduardo Cunha pode ganhar mais tempo antes de ser julgado, tempo para o corporativismo aflorar, e os parlamentares se darem conta do que estão fazendo, punindo o homem que, afinal, é o herói do impeachment. Foi dele que partiu o processo que está chegando ao seu fim previsível agora. Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!"

Verissimo faz ainda um lembrete: "evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós."

Neste fim se semana, Le Monde e New York Times ridicularizam o Brasil. No jornal francês, o impeachment foi chamado de golpe ou farsa (leia aqui). No NYT, Dilma é devorada por ratos (aqui).
Brasil 247
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AUTORES DA DIFAMAÇÃO FICARÃO IMPUNES?

8/20/2016




Globo, Moro, Veja, Folha, Estadão.

Moro, Lava Jato.

Quem vai indenizar Lula pela tortura imposta a ele no caso do apartamento do Guarujá?

Quanto?

Tem preço?

Tanta difamação, tanta perseguição, tanta informação falsa — para afinal a PF concluir que o apartamento não é de Lula?

É um caso icônico dentro do golpe.

Antes, e acima de tudo: o fim da história deveria ter sido o prólogo. Antes de massacrar Lula e família, antes de vazar maldades para manchetes canalhas, a PF tinha que investigar direito o caso.

Quantos recursos teriam sido poupados, para falar em dinheiro público?

Num mundo menos imperfeito, até os leitores seriam indenizados por terem sido tão manipulados e malinformados.

Mas este nosso mundo moldado por uma plutocracia abjeta é muito, muito imperfeito.

Nesta história, a medalha de ouro vai para a Globo. Foi o Globo que começou a campanha. Lembro a primeira vez que li uma “reportagem” no Globo.

Deus, transeuntes eram citados. “Vi Lula um dia aqui”, coisas do gênero. As evidências eram patéticas.

E em meio a esse descalabro jornalístico, capas de revistas, manchetes de jornais, minutos intermináveis no Jornal Nacional, aulas de moral por comentaristas em todas as mídias.

A isso se dá o nome de jornalismo de guerra.

O fim da farsa mostra também quanto Lula acertou em recorrer à ONU. É caça. Vale tudo contra ele, sob os olhares complacentes, ou até cúmplices, dos magistrados do STF.

Um pedido de desculpas é o mínimo que Globo, Moro, Folha etc deveriam fazer.

Mas isso não acontecerá. A imprensa vai esconder em espaços nanicos a notícia. Vai fingir que nada ocorreu. Que tudo foi rotineiro, banal, dentro das regras elementares do jornalismo. Os fatos é que erraram, para usar a grande expressão de Nelson Rodrigues.

E assim vai se encerrar um capítulo exemplar da infame campanha movida pela mídia e por Moro contra Lula.
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QUEM PAGARÁ PELA DIFAMAÇÃO?




Aqueles que discordam do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff nomeiam o processo de afastamento da presidente como um golpe. Para sustentar essa afirmação, diversas atividades suspeitas são apontadas no afastamento de Dilma, desde as investigações da Lava Jato, como a parcialidade nas delações premiadas. Há algum tempo, o ex-presidente Lula é apontado como dono de um tríplex no Guarujá em São Paulo, ganhando capas e muitas notícias em diversos veículos de comunicação.

Lula não é dono de tríplex e investigações seguem após relatório divulgado por Sérgio Moro

Essas notícias eram baseadas no processo de investigação da operação que ficou conhecida como Triplo X, uma analogia ao tríplex no condomínio Solaris. A investigação chegou ao final e o seu relatório foi emitido no dia 12 de agosto, mas somente no dia 18 de agosto o juiz Sérgio Moro tornou público o relatório que conclui que Luiz Inácio Lula da Silva não é dono de nenhum tríplex, como foi mencionado diversas vezes. A operação triplo X foi deflagrada em 27 de janeiro de 2016 e encerra suas investigações indiciando uma publicitária (a verdadeira dona do tríplex) e funcionários da Mossack Fonseca do Brasil.

Verdadeira dona de tríplex em Guarujá é uma publicitária 

A verdadeira dona do tríplex foi indiciada pela Polícia Federal e trata-se de uma publicitária. Além dela, outros pessoas foram indiciadas, ligadas à operação internacional Panamá Papers. A publicitária Nelci Warken será ouvida pelo juiz Sério Moro, além da chefe responsável pelo escritório da Mossack no Brasil, Maria Mercedes Riaño. Os outros funcionários da Mossack arrolados na investigação são: Ricardo Honório Neto, Luis Fernando Hernandez, Renata Pereira Britto e Rodrigo Andrés Cuesta Hernandez. Outro nome divulgado no relatório final liberado por Sérgio Moro é o do empresário Ademir Auada. O empresário é apontado como intermediário nas negociações da Mossack no Brasil. A Mossack Fonseca é apontada pela Polícia Federal como uma organização criminosa transnacional.
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Cristovam, deseducado, virou golpista

8/09/2016



O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que era considerado um dos indecisos, anunciou nesta terça-feira que votará pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. "O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) terminou seu parecer demonstrando que houve crime. Eu vejo até que foi um crime pequeno, mas foi um crime", disse ele, em entrevista a Mariana Haubert.

Na prática, Cristovam afirma que Dilma está caindo por não haver conseguido lidar com o Congresso – ou seja, com as chantagens de Eduardo Cunha & companhia, o que, na sua visão, justificaria seu afastamento. "A presidente Dilma só conseguiu isso porque não soube fazer o trabalho parlamentar. Faltou ter o respeito ao Parlamento. Ao desrespeitar, paga-se o preço", afirma.

Curiosamente, o parlamentar votará a favor de um governo que elevou o rombo fiscal em mais de R$ 100 bilhões, embora o desequilíbrio orçamentário tenha sido o pretexto para afastar Dilma. Apesar de ter estado com Dilma por 12 anos, vejo que Temer pode trazer algo novo. Acho que ele tem mais condições de reequilibrar o processo econômico, barrar a inflação. Mas também me preocupo porque está gastando muito. Embora eles digam que tudo isso estava previsto, eu acho que eles estão abrindo um flanco muito perigoso", afirma.

Considerado golpista por seus próprios eleitores, Cristovam foi alvo de um protesto inédito no Brasil, sendo alvo de uma "desvotação."

Além disso, dias atrás, o escritor Fernando Morais também devolveu um prêmio concedido pelo governo do Distrito Federal, dizendo não querer guardar nada de "golpista".

Cristovam admitiu ter perdido prestígio no exterior e ter recebido cartas de grandes personalidades, que condenam sua adesão ao golpe. "É onde realmente eu estou perdendo, é no prestígio que construí no exterior: as cartas que recebo de grandes personalidades. Lá fora fica a impressão de que estão tirando a presidente", diz ele.

Cristovam pode ter anunciado seu voto por pressão do governo provisório. O interino Michel Temer, rejeitado por 79% da população, segundo pesquisa Vox Populi, ameaçou os senadores, dizendo que só terão benesses em seu governo aqueles que votarem hoje pelo golpe já na pronúncia do impeachment, prevista para ocorrer hoje.
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Todo governo ilegítimo, golpista, um dia tende a cair

8/05/2016



Todo governo ilegítimo tende a cair, em algum momento, na tentação de usar a força para reprimir adversários. Temer sofrerá tal tentação porque vai propor e tentar aprovar reformas impopulares, que subtraem direitos, como a da previdência e a da legislação trabalhista. Inevitavelmente, os movimentos sociais irão para as ruas. Já falam até em greve geral.
A fala do ministro Eliseu Padilha, ao comentar o risco de vaias e protestos contra Temer nesta sexta-feira no Rio, na abertura das Olimpíadas, foi ambígua. Depois de anunciar a disposição para ouvir manifestações democráticas, ele subiu o tom avisando que quem protestar estará protestando contra o Brasil e deve arcar com as consequências, em resumo. O que haverá no Rio, veremos amanhã. Mais preocupante foi, porém, o envio de forças do Exército a Natal, para conter uma onda de violência comandada de dentro das penitenciárias por organizações criminosas.

Paulo Moreira Leite já comentou ontem, no site 247, sobre o grave significado do emprego do Exército, que tem a função de defender a segurança e a soberania nacionais, ao lado das outras Forças Armadas, como substituto das polícias – a PM estadual, a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança. Lembrou que, após a redemocratização, os presidentes sempre evitaram tal emprego, que rebaixa a função do Exército. Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, deu uma declaração preocupante. A de que “a desordem não será tolerada” pelo governo e que sempre que ela se manifestar as Forças Armadas poderão atuar com energia.

A fala de Jungmann deixa uma pergunta no ar e levanta uma preocupação. As Forças Armadas serão acionadas também quando a “desordem” for de natureza social e política? Vale dizer, serão usadas para conter protestos contra o governo e contra suas políticas?

Quando e se isso acontecer, já não faltará nada para a transfiguração do atual regime, se efetivado no poder, em ditadura. As falas de Padilha e Jugmann semeiam este temor.
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A BANALIDADE DO MAL NO SENADO

8/04/2016




É preciso retornar a um dos períodos mais deprimentes da história humana, o julgamento do carrasco nazista Otto Adolf Eichmann, em Jerusalém, em 1960, para entender a decisão da Comissão Especial do Impeachment que deu sequência ao julgamento de Dilma Rousseff no Senado.


A acusação contra Dilma é nula no mérito e abusiva como procedimento. Se a única base para a denúncia eram crimes de responsabilidade, essa acusação nunca foi demonstrada. A votação, definida desde o início, não expressa fatos nem provas. Tampouco traduz o conteúdo dos debates, os argumentos das partes, a opinião dos peritos.

Foi uma demonstração de truculência e força bruta. Expressa a relação de forças entre partidos no Congresso. E só. É política, e não jurídica, quando deveria ser o contrário.   


Ao longo dos trabalhos da Comissão, testemunhas deixaram claro que o governo realizou não só operações contábeis banais e corriqueiras, efetuadas por todos os antecessores porque não representam prejuízo aos cofres públicos nem envolviam qualquer tipo de ilegalidade.

Apenas alteravam a distribuição interna de recursos, sem modificar os números finais, aqueles que registram o déficit fiscal. Estavam inteiramente de acordo com a legislação em vigor, no momento em que ocorreram.


A incapacidade de caracterizar um crime explica o uso frequente de uma expressão criada por jornalistas, “pedaladas”, destinada a sugerir aquilo que não se consegue demonstrar.


A fragilidade é tão grande que, no momento máximo de vexame, o Ministério Público Federal reconheceu que não constituíam crime.    

Construído por Hanna Arendt, a filósofa que estudou o nascimento das piores tiranias do século passado, a ideia da banalidade do mal ajuda a entender que crimes políticos podem ser cometidos num ritual burocrático, imperceptível, automático, de olhos fechados.


Principal responsável pela máquina de morte de Auschwitz, Eichmann disse em seu julgamento que não tinha nada de “pessoal” contra os judeus que pereciam sob seu comando -- aos milhões. Apenas queria – sem assumir qualquer responsabilidade -- fazer seu serviço profissional, burocrático.


O crime cometido esta manhã no Senado representa um ataque – burocrático e irresponsável – à democracia brasileira. Em nome do respeito à verdade, os senadores aliados de Michel Temer só precisariam recordar as palavras inesquecíveis de sua líder Rose de Freitas (“é tudo política”) para reconhecer que pronunciavam fantasias, fabulações e invenções para aparentar que nada mais faziam do que encaminhar um golpe de Estado.


Não é uma decisão definitiva nem é uma surpresa. Mas os votos pelo impeachment contribuíram para apequenar as instituições democráticas, condenando, sem prova, o mandato de uma presidente eleita por mais de 54 milhões de brasileiras. 


Cedo ou tarde, serão chamados a explicar-se por isso. É a condenação inevitável daqueles que traem a democracia. Até por uma questão de respeito, contudo, recomenda-se que não exagerem em explicações nem desculpas lacrimosas.

Paulo Moreira Leite
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Golpistas poderão ter uma vitória de Pirro


Manifestações "para barrar o golpe, exigir a saída de Michel Temer e defender os direitos" ocorrerão nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, data da cerimônia de abertura da Olimpíada, e no dia 9 de agosto em todo o Brasil, informa nota divulgada pela Frente Brasil Popular, que reúne diversos movimentos sociais e centrais sindicais; texto detalha os aspectos do golpe contra a presidente Dilma Rousseff, ressalta que o presidente interino vem retirando benefícios dos brasileiros e alerta que a mídia reforçará, nos próximos dias, uma "cobertura ufanista das Olimpíadas", dando o golpe como consumado; "O fator decisivo para assegurar essa virada será a nossa mobilização nessa reta final do impeachment. Está em jogo o presente e o futuro do povo brasileiro", diz ainda a nota




Em nota divulgada nesta quinta-feira 4, a Frente Brasil Popular, que reúne diversos movimentos sociais e centrais sindicais, convoca os brasileiros a participarem de dois grandes atos contra o presidente interino, Michel Temer, e o golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

Manifestações "para barrar o golpe, exigir a saída de Michel Temer e defender os direitos" estão marcadas para acontecer nesta sexta-feira 5 no Rio de Janeiro, data da cerimônia de abertura da Olimpíada, e no dia 9 de agosto em todo o Brasil.

O texto detalha os aspectos do golpe, ressalta que Temer vem retirando benefícios dos brasileiros e alerta que a mídia reforçará, nos próximos dias, uma "cobertura ufanista das Olimpíadas", dando o golpe como consumado.

"O fator decisivo para assegurar essa virada será a nossa mobilização nessa reta final do impeachment. Está em jogo o presente e o futuro do povo brasileiro", diz ainda a nota. Leia a íntegra:



Nota Pública

Enfrentar o golpe! Derrubar o governo ilegítimo!

A Frente Brasil Popular convoca todos/as os lutadores/as sociais às ruas do Rio de Janeiro no próximo dia 05, e de todo o Brasil no dia 09 de agosto para barrar o golpe, exigir a saída de Michel Temer e defender os direitos. Fora o golpista Michel Temer e seu governo ilegítimo e interino: este é o brado cada vez mais forte na sociedade brasileira.

Cientes de que as urnas não aprovariam o desmonte do patrimônio público e a retirada de direitos conquistados há décadas pelos trabalhadores e trabalhadoras, os arquitetos do golpe sabiam que precisavam passar por cima da democracia e da Constituição Federal para aplicar seu programa radical de arrocho e ajuste fiscal de longo prazo.

Segundo a Constituição, a deposição de um presidente da República só é possível caso ele tenha cometido algum crime. A perícia do Senado isentou Dilma de atuação nas pedaladas fiscais. Depois, o Ministério Público Federal confirmou o que os setores democráticos e progressistas da sociedade vêm dizendo: pedaladas fiscais não configuram crime. Por isso, o parecer da procuradoria indicou o arquivamento da apuração.

Neste sentido, é o próprio relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), alegando a procedência da acusação e defendendo o prosseguimento do processo, que atenta contra a Constituição. O pedido de impeachment de Dilma Rousseff não tem nenhum fundamento legal, é um golpe de Estado, planejado e conduzido, inclusive, para deter as investigações que atingiriam os próprios golpistas.

Não se trata somente de um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, é também contra os milhões de votos que estariam sendo cassados, contra a Constituição. O alvo do golpe é a classe trabalhadora, os setores populares, os direitos sociais, as liberdades civis e democráticas, o patrimônio público, a soberania e o Estado Nacional.

A gestão interina de Temer amplia o déficit público e anuncia um projeto que acaba com a obrigatoriedade de gastos governamentais em saúde e educação, impondo limites que significam um verdadeiro desmonte dos serviços públicos. Concretamente, isto significa o fim do SAMU, a falta de medicamentos, equipamentos e materiais hospitalares, a precarização dos trabalhadores da saúde e da educação, o sucateamento das escolas, etc.

Além disso, Temer diminuiu os recursos do programa Minha Casa, Minha Vida e do Bolsa Família, anunciou mudanças na Previdência Social, para aumentar a idade mínima e o tempo de contribuição da aposentadoria, planeja acabar com a política de valorização do salário mínimo e aumentar a jornada de trabalho para 80 horas semanais. Sem falar na perversa política de juros altos que só beneficia os interesses do rentismo.
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Um projeto criminoso para acabar com as cotas

8/03/2016



Considerando o currículo vergonhoso que o governo interino tem acumulado desde a posse, o ataque ao regime de cotas no serviço público até que estava demorando.

Anunciado pelo Ministério do Planejamento, que responde pelo sistema de contratações da administração federal, é uma iniciativa que merece repulsa absoluta.

O esforço sem limites para garantir todo e qualquer apoio social para compensar sua fraqueza de origem levou o governo Temer a cortejar o eleitorado racista, ha bituado se esconder na teoria, muito conveniente para os brasileiros brancos, de que vivemos sob uma democracia racial.

Vamos combinar que era só uma questão de tempo.

Vitória histórica contra a discriminação e suas sequelas, admitidas por estudos acadêmicos de várias correntes de pensamento, a política de ação afirmativa sempre foi questionada por lideranças interessadas na manutenção de um sistema de privilégios apoiado na exclusão de mais de 50% dos brasileiros que trazem a descendência africana na pele, nos cabelos, nos olhos e, especialmente, em

400 anos de exclusão social, perseguição e violência.

A ideia de formar comissões que irão avaliar se uma pessoa tem descendentes negros -- ou se está mentindo para obter vantagens -- é ridícula como demonstração de ignorância sobre o conceito de "raça". Também é grotesca como projeto de Estado. 

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando a ONU realizou estudos sobre a origem do racismo, sabe-se que não há base científica para se definir raças humanas, como sintetizou o sábio Claude Levi Strauss, um dos gênios do século XX.

Isso porque os seres humanos tem uma formação genética diferente daquela que pode ser encontradas em cães -- que podem ser pastores, boxers, labradores e até vira-latas -- ou gatos, angorás ou siameses.

Avaliando o horror do holocausto, que tinha no programa de extermínio de judeus seu maior instrumento ideológico, Levi Strauss explicou que raça é cultura. Partindo dessa lição do mestre, que seria confirmada décadas mais tarde pelo estudo de DNA das populações do planeta,  pode-se entender que os cidadãos que forem escalados para dizer se determinado sujeito é branco, ou negro, ou não passa de uma fraude, estarão expressando, acima de tudo, seus próprios preconceitos e convicções. Imagino o dedo em riste.

As sobrancelhas duras. A voz indignada. Tudo para tentar submeter e envergonhar. Nos tempos de Hitler, os suspeitos eram convidados a colocar o pinto para fora das calças, caso fosse necessário dirimir maiores dúvidas.

O grave é que a simples deia de formar uma comissão para "investigar" um candidato a emprego publico tem um ponto de partida racista. Sem dados científicos para sustentar seus trabalho, a única base de sua atividade será levar a sério, logo de saída, os estereótipos longamente cultivados por uma sociedade que jamais ajustou as contas com a escravidão, agindo de forma sistemática para manter nossos afrodescendentes como homens e mulheres de segunda classe. A humilhação, agora, é o pressuposto de que pode estar mentindo.

Sabemos do que estamos falando. Uma herança do velho negro fujão do século XIX, que tinha de provar que era um homem livre para não ser escravizado pelo sinhozinho que lhe deu voz de prisão quando o viu passar na rua e não podia acreditar que tivesse sido alforriado. Ou das "prisões para averiguações" de cidadãos negros, que a polícia coloca atrás das grades porque não o sujeito nãotinha conseguido arrumar emprego com carteira assinada. Ou das execuções de madrugada, protegidas pelos macabros autos de resistência que acobertam assassinatos. 

O projeto, claro, também é um instrumento óbvio de retrocesso político. As pesquisas sociológicas são unânimes em demonstrar que, entre os brasileiros que mais se beneficiaram dos programas sociais iniciados em 2003, ano em que Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Planalto, encontra-se uma parcela significativa de afrodescendentes.

Isso aconteceu em grande parte em função de programas deliberados e necessários de combate ao racismo, mas também por uma razão até obvia. Ao focalizar as parcelas mais pobres da população, na fronteira da exclusão e da miséria,  os programas sociais chegaram, naturalmente, aos brasileiros que sempre haviam sido esquecidos.

O movimento é este. Para enfraquecer a herança de Lula-Dilma as vésperas do impeachment, transforma-se a população afrodescendente em bucha de canhão. Típico. Não deixa de ser vergonhoso, concorda?

Não por acaso, coube ao DEM do aliado Rodrigo Maia entrar no Supremo Tribunal Federal para questionar a política de cotas para universidades públicas, confirmada pelos ministros num debate histórico pelo aspecto progressista. Até pela jurisprudência firmada, as universidades ficaram de fora do projeto do Ministério do Planejamento. Nada impede, contudo, que também possam ser questionadas no futuro.
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Atriz Letícia Sabatela é atacada por vampiros do mordomo

8/01/2016



A atriz Letícia Sabatella prestou depoimento no 1º Distrito Policial em Curitiba, na noite deste domingo, depois de ter sido chamada de "puta", "sem-vergonha" e outros nomes por pessoas que protestavam a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Letícia é contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff e denuncia com frequência o golpe que vem ocorrendo no Brasil.

Em declaração feita por vídeo ao jornal Brasil de Fato após o depoimento, ela descreveu que o ato contra o golpe em que esteve na cidade foi "amoroso" e "as pessoas estavam felizes", enquanto no protesto a favor do impeachment, "eles criaram uma energia" negativa.

"Eu sinto muito por eles estarem vendo as coisas dessa maneira, com tanto ódio", disse a atriz. Ela declarou ainda que "há tantas pessoas sofrendo consequências desse golpe que está acontecendo no Brasil", a exemplo de índios e sem-terras, que não sentiu que o episódio ocorrido com ela "era pior".

"É uma coisa que está fazendo parte do nosso País nesse momento. Que pena, não dá mais pra conversar com as pessoas, não dá pra passar por um lugar e parar para dar um oi para alguém que tá ali. Parece uma gana por esse ódio", acrescentou.

Ontem, após a agressão, que foi filmada e publicada por ela, a atriz postou a seguinte mensagem: "Não fui provocar ninguém, passava pela praça antes de começar a manifestação e parei pra conversar com uma senhora. Meu erro. Preocupa está falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem".
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Os ardilosos acreditam que o povo trabalhador é palerma



Certo de que o Senado vai condenar Dilma e efetivá-lo na presidência, Michel Temer já pensa até em reeleição. Num teatrinho pueril, Rodrigo Maia o lançou e ele negou tais planos. Começa sempre assim. Mas o interino ainda tem uma ponte para atravessar, a ação do PSDB no TSE pedindo a cassação da chapa Dilma-Temer.

Quando um dia for examiná-la, o TSE responderá também ao pedido de Temer para que o deixem fora, pois teria movimentado apenas recursos doados ao PMDB. Se tais doações forem examinadas com o mesmo rigor que Gilmar Mendes reserva às que foram feitas via PT, vai aparecer pelo menos um jabuti, a doação de R$ 1,5 milhão da empresa Libra, ao que tudo indica beneficiária de uma "parceria do passado" entre Temer e Eduardo Cunha.

A ela é que Cunha teria se referido, na conversa que teve com Temer no Jaburu em junho, antes de renunciar à presidência da Câmara. Temendo estar sendo gravado, Temer se exaltou e cortou rispidamente a conversa. Cunha vazou o encontro.

Na revista Carta Capital desta semana o repórter André Barrocal exuma as relações, antigas e atuais, entre o PMDB e a Libra.

Começa revelando que no mês passado o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, determinou ao ministro dos Transportes, Maurício Quintela, que desautorizasse a contratação, pela Codesp, estatal gestora do porto, do advogado Nelson Wilians, para representá-la na arbitragem particular de um contencioso com a Libra, que alcança a cifra de R$ 2,3 bilhões.

O advogado embolsaria 1%, ou 23 milhões. A contra-ordem foi dada depois de divulgados os termos do contrato e a proximidade entre Wilians e Robinson Padilha, filho do ministro. A ordem foi executada.

Há muito se sabe que o Porto de Santos é um califado de Temer. ACM já o dizia. Mas a "parceria" com Cunha teria sido em 2013. Na votação da MP dos Portos, o então líder do PMDB derrotou Dilma, que propusera mudança nas regras de concessões com mais de 20 anos, como era o caso da de Libra, e ainda incluiu um artigo prevendo que contenciosos entre a União e concessionários pudessem ser resolvidos não pela Justiça mas pela arbitragem privada, quando as partes elegem um terceiro entre para decidir o conflito.

"Feliz da vida", como escreve Barrocal, Libra, que no pleito anterior doara apenas R$ 110 mil ao PMDB, em 2014 doou R$ 1,5 milhão, sendo que um terço para o diretório do Rio, estado de Cunha.

E houve ainda, através de membros da família Torrealba, dona da empresa, a doação de outros R$ 950 mil para o diretório nacional, destinados à campanha presidencial. Vale dizer, à recandidatura de Temer a vice na chapa de Dilma.

Em 2013, Dilma resistiu mas acabou cedendo à pressão de seu vice para que nomeasse o dileto amigo Edinho Araújo para a Secretaria de Portos.

Ele tomou as medidas necessários para renovar a concessão sob as mesmas regras e implementar a arbitragem. Em 2014 Dilma o tirou, contra a vontade de Temer, que externou sua mágoa naquela carta de rompimento.

Segundo Barrocal, um procurador federal, falando em "off", diz que o Ministério Público, se quisesse, poderia abrir investigações sobre a conexão entre tais doações e a MP, na linha do que fez a Operação Zelotes ao investigar suposta "compra de MPs" com desvio de finalidade.

O Ministério Público segue ignorando o assunto. O TSE, quando for julgar a ação do PSDB, teria que examinar também a legalidade das doações diretas ao PMDB. Mas, por ora, só quer saber do que foi doado à chapa através do PT.

Esta é uma questão com que Temer ainda vai se defrontar antes de pensar em reeleição, se efetivado for. Afora aquela ação que tornou inelegível por ter feito doações acima do valor permitido.
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