O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que 12
senadores, 49 deputados federais e ao menos um governador receberam dinheiro
desviado da estatal. Segundo o jornal Folha
de S.Paulo, ao citar informações de investigação da Operação Lava
Jato, os políticos ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobras no
período em que Costa foi diretor da estatal, entre os anos de 2004 e 2012.
O relato feito por Costa,
que decidiu colaborar com as autoridades em agosto, a procuradores e policiais,
aponta o envolvimento de políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. O
ex-diretor foi indicado ao cargo pelo PP, ganhando mais tarde o respaldo do PT
e do PMDB.
No entanto, de acordo com uma
revista semanal ao citar um
documento obtido, o ex-diretor fala em ao menos 25 deputados federais, seis
senadores, três governadores e um ministro. Entre os envolvidos estariam o
ministro Lobão (Minas e Energia), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os
presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR)
e os deputados Cândido Vaccarezza (SP), João Pizzolatti (PP-SC) e o ex-ministro
Mário Negromonte (PP). Entre os governadores, o ex-diretor teria citado o
ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana
Sarney (PMDB), e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no
dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP).
Segundo a Folha,
o depoimento de Costa, que foi preso em março pela Polícia Federal, chegou ao
Supremo Tribunal Federal no início da semana. O ministro Teori Zavascki deve
homologar o acordo de delação premiada feito pelo executivo com os
procuradores. Os políticos citados no relato do executivo devem ser
investigados apenas com aval e autorização do STF, onde parlamentares têm foro
privilegiado.
O ex-diretor fez um acordo
de delação premiada no último dia 22, após a PF fazer buscas em empresas de
suas filhas e de um amigo. Em uma delas foram encontrados indícios de que Costa
tem mais contas no exterior do que as descobertas anteriormente na Suíça.
Autoridades suíças enviaram em junho ao Brasil documentos que mostram que Costa
e seus familiares tinham 23 milhões de dólares (52 milhões de reais) em contas
secretas.
A descoberta levou o juiz
federal Sergio Moro a decretar a prisão de Costa pela segunda vez no dia 11 de
junho. O executivo havia sido preso pela primeira vez em 20 de março, sob
acusação de destruir documentos, mas acabou libertado por decisão do STF.
O ex-diretor da Petrobras
é acusado de dirigir um esquema de corrupção que teria desviado recursos da
Petrobras em parceria com o doleiro Alberto Youssef, que está preso em Curitiba.

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