Sob o comando do
senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os
tucanos afinaram o discurso em defesa do golpe.
FHC afirmou que o
processo é "jurídico-político" e apontou como crime da presidente
Dilma Rousseff as 'pedaladas fiscais', que ainda não foram julgadas pelo
Congresso Nacional.

Aécio falou em
"orquestra afinada", enquanto Geraldo Alckmin, que vive seu momento
mais baixo de popularidade, após uma crise que terminou com estudantes
agredidos por policiais em São Paulo, repetiu que "impeachment não é
golpe".
No entanto, 16
governadores já assinaram um documento em defesa da legalidade, apontando que
um impeachment sem crime de responsabilidade é, sim, golpe.
Dilma já recebeu
apoio de artistas, intelectuais, movimentos sociais, professores e reitores de
universidades, além de 16 governadores – os tucanos têm, a seu lado, Eduardo
Cunha.
Os principais nomes
do PSDB reuniram-se ontem (10) à noite em Brasília. O senador e presidente
nacional do partido, Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foram alguns dos presentes no
encontro. Para o ex-presidente da República, existem motivos suficientes para
concretizar o impeachment de Dilma Rousseff.
“Você desrespeitar
reiteradamente a Lei de Responsabilidade Fiscal tendo em vista benefícios
eleitorais, porque houve abundância de uso de recursos para uso em programas
sociais em ano de eleição, é uma razão consistente”, disse FHC. Ele disse ainda
que entende o impeachment como um processo jurídico-político e que um
presidente só pode ser tirado no meio do mandato se houver “clima político”.
“Se esse clima se
formar, há razões [para o processo de impeachment]. Se esse clima não se
formar, não há razão que derrube um presidente da República que foi eleito, que
teve voto. Não é um processo simples. Parece-me que o clima atual é de que o
governo está muito paralisado. E um país como o Brasil, com tantos problemas
pela frente, não pode ficar esperando que as coisas se resolvam por si. Precisa
que haja ação política”, avaliou o ex-presidente da República.
Aécio Neves
classificou o encontro como um momento para “afinar a orquestra” em torno do
discurso favorável ao processo de impeachment. “Essa reunião é para 'afinar a
orquestra' e estaremos cada vez mais conversando e convergindo no sentimento de
que cabe à presidenta da República dar respostas formais e definitivas às
acusações que lhe são feitas”.
O senador também
pediu “serenidade” neste momento, mas disse que há justificativa jurídica para
que o processo de impeachment corra no Congresso. “Existe um pleno Estado de
Direito, os pilares básicos para que essa proposta fosse colocada em votação
existem e nós temos que ter a serenidade para discuti-la”. Aécio frisou que a
petista “deve ter todo direito à defesa”, mas afirmou que no PSDB há um
“sentimento convergente” de que existem razões para a saída de Dilma da
Presidência da República.
Já Alckmin criticou
os recorrentes discursos do governo e seus aliados de que há uma tentativa de
golpe no país. “O impeachment está previsto na Constituição Brasileira e a
Constituição não é golpista. Não tem nenhuma justificativa para vir com essa
história de golpe”.
O encontro também
teve a presença dos governadores tucanos Pedro Taques (MS), Marconi Perillo
(GO), Simão Jatene (PA), Beto Richa (PR) e Reinaldo Azambuja (MS). Os senadores
José Serra e Cássio Cunha Lima, além do líder do partido na Câmara, o execrável Carlos
Sampaio, também participaram da reunião, que durou cerca de uma hora.
Após um desentendimento com a
ministra Kátia Abreu em uma festa ontem, bastante repercutido hoje na mídia e
nas redes sociais, Serra saiu sem falar com a imprensa.
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