Executivos da OAS, Coesa,
Barbosa Mello e Galvão Engenharia foram detidos nesta manhã sob suspeita de
participar de desvios de R$ 200 milhões em um trecho da obra
A Polícia Federal prendeu
temporariamente nesta sexta-feira, 11, quatro executivos das empresas
Galvão Engenharia, OAS, Coesa e Barbosa Mello suspeitos de envolvimento no
superfaturamento e desvio de R$ 200 milhões em dois lotes das obras da
transposição do Rio São Franciso, entre o sertão de Pernambuco e a Paraíba. Os
nomes dos executivos não foram revelados.
“São diretores, conselheiros e
representantes legais das empresas”, disse o superintendente da Polícia Federal
em Pernambuco, delegado Marcelo Diniz. Ao todo, foram detidos um executivo que
representa a OAS e a Coesa, um da Barbosa Mello e dois da Galvão Engenharia. As
prisões são temporárias, com duração de cinco dias podendo ser prorrogadas por
mais cinco ou convertidas em preventiva – quando não há prazo definido para
acabarem – e ocorreram nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e no
Distrito Federal.
As empresas compõem um consórcio
responsável por dois dos 14 lotes da transposição que está na mira da Polícia
Federal deflagrada por repassar os recursos recebidos do Ministério da
Integração Nacional referentes à obra para empresas de fachada dos doleiros
Alberto Youssef e Adir Assad, ambos já presos e condenados na Lava Jato por
usarem suas empresas para lavar dinheiro no esquema de corrupção na Petrobrás.
Ao todo, o consórcio recebeu R$
680 milhões pelas obras dos dois lotes, dos quais R$ 200 milhões foram
repassados para empresas de fachada, segundo as investigações.
Apesar das coincidências com a
operação tocada pelo juiz Sérgio Moro, no Paraná, a investigação é realizada
pela na Polícia Federal no Recife (PE) independente da Lava Jato. Ao perceber
que os alvos se cruzaram, contudo, a Polícia Federal compartilhou informações
com a força-tarefa da emblemática operação que desmontou o esquema de corrupção
na Petrobrás.
Cerca de 150 policiais federais
cumpriram nesta manhã 32 mandados, sendo 24 de busca e apreensão, 4 de condução
coercitiva e quatro de prisão nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso,
Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e em Brasília.
Obra. A obra de transposição do
rio São Francisco é tocada pelo governo federal e foi reiniciada na gestão do
ex-presidente Lula. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável
pela execução, a obra engloba a construção de quatro túneis, 14 aquedutos, nove
estações de bombeamento e 27 reservatórios. Desde que foi retomada, ela se
arrasta há oito anos.
Além da recuperação de 23 açudes
existentes na região que receberão as águas do rio São Francisco. O projeto
esta orçado em R$ 8,2 bilhões, com base na planilha orçamentária vigente.
O governo diz que a obra
beneficiará uma população estimada de 12 milhões de habitantes, em 390
municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte,
onde a estiagem ocorre frequentemente. A Região Nordeste possui 28% da
população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O Rio São
Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.
Em outubro deste ano, conforme o
ministério, 81% da execução física da obra estava concluída, sendo o Eixo Norte
com 82,2% e o Eixo Leste com 79,2%.
O Tribunal de Contas da União
(TCU) apontou entre 2005 e 2013 irregularidades que somam R$ 734 milhões nas
obras da transposição. O que inclui, contratos que não foram honrados ou que
tem sobrepreço, pagamento duplicado por obras ou pagamento de serviços que não
foram executados.
Agência Estadão

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