O tratamento generoso que Michel Temer tem recebido da maioria dos
analistas políticos explica-se por uma razão ululante. Num país onde uma
parcela crescente da população se recusa a aceitar um golpe de Estado de braços
cruzados, todo cuidado é pouco para esconder fraquezas incuráveis de um governo
construído sem legitimidade popular, em torno de uma liderança política fraca,
condenada a ser tutelado pelas mesmas forças responsáveis pelo estrangulamento
de Dilma Rousseff.
Se a experiência ensina que nenhum presidente capaz de herdar o cargo no
final de um processo de impeachment está livre de ter seu mandato questionado
desde o primeiro dia, pois lhe falta a legitimidade do voto popular, o caso de
Michel Temer é bem mais grave.
Ao participar de uma conspiração ativa para derrubar Dilma Rousseff e
assumir sua cadeira, o que implica em dissimular e enganar, o vice deixou
dúvidas inevitáveis sobre sua credibilidade.
Não é uma dificuldade pequena, diante da circunstância de quem tentará
governar um país de 200 milhões de habitantes e imensas contradições com o
apoio, basicamente, daquilo que puder combinar e prometer.

0 comentários:
Postar um comentário
Os comentários serão de responsabilidade dos autores. podendo responder peço conteúdo postado!