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A consolidação das instituições democráticas em Xiquexique

3/28/2011

Está na pauta das discussões globais e nacionais a consolidação das instituições democráticas, posto que as organizações políticas, no Brasil e no mundo, estão se dedicando à observação e, sobretudo, à estabilização do regime democrático.

Em entrevista com o embaixador dos Estados Unidos, que anunciava a visita do presidente Obama ao nosso país, segundo o diplomata, as duas nações traçarão congruências relevantes para o século XXI em função de seus papéis na geopolítica americana, declarando: “o Brasil é um país que tem demonstrado uma verdadeira estabilidade em suas instituições democráticas”.

A observação do embaixador nos trouxe a constatação de que a efetivação do regime democrático é critério de desenvolvimento e civilização. Com isso, o Estado brasileiro realmente consolidou sua democracia, o que nos falta, agora, é aprofundar e distribuir o poder simbólico das instituições democráticas aos mais distantes grotões da nação, considerando o seu torto relevo social.

Xiquexique, a exemplo de inúmeras cidades esquecidas, de pequeno porte, vive sob a presunção de democracia e de poder originário do povo. Nossa gente ainda pensa que a eleição é a política, e que nesse minúsculo acontecimento da ordem democrática é a própria ordem democrática. E mais: o xiquexiquense pensa que depois do pleito eleitoral sua vida política se encerra.

Com esse nosso abandono da cidadania, as instituições políticas municipais, que deveriam se fiscalizar mutuamente, podem agir de maneira livre, sem a inspeção mais efetiva e sagaz, que é aquela feita pelo povo. Afinal, não temos uma imprensa que investigue as ações oficiais nem uma sociedade que se interessa por elas, porque não possui uma consciência social capaz de aceitar o poder e exercê-lo.

A consciência social do xiquexiquense é aquela que paira em cada grotão do país, de uma gente regida, historicamente, por forças políticas externas e implacáveis, onde a ordem hierárquica atua como fator determinante na distribuição do poder político. Essa gente do sertão ainda não se conscientizou acerca de suas possibilidades imensas no regime democrático, de seu papel privilegiado na estrutura política e de sua capacidade de agente transformador da realidade local.

O Brasil se despertou. A louvável consolidação das instituições democráticas brasileiras anuncia um novo tempo, onde as decisões e as vontades do povo são respeitadas. Também, o torto relevo social deve ser respeitado, mas, para tanto, as pessoas que formam esse tecido social instável necessitam se conscientizar e se articular na tentativa de consolidar suas instituições democráticas, propagadoras legítimas da vontade geral.

Sérgio Pessoa - Estudante de Direito
Colunista do Página Revista

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