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Maximiliano de Habsburgo, o príncipe europeu que nos chamou de “macacos”.

1/13/2015


Dos viajantes ilustres que visitaram a Bahia no século XIX o príncipe Maximiliano de Habsburgo foi senão o primeiro, um dos, a nos chamar de macacos, assim no mais com toda a espontaneidade do mundo no seu diário de viagem, anotações do próprio punho como era do feitio dos cidadãos cultos daquele tempo; até Dom Pedro II, com todos os seus afazeres, deixou os seus registros de viagem às províncias do norte num diário. Era uma forma de compartilhar conhecimento, a partir de observações críticas sobre o cotidiano e um pouco da cultura local.

Coincidiu do príncipe chegar a Bahia às vésperas da Lavagem do Bonfim (1860) e convidado por um cidadão austríaco muito rico, morador de Salvador, enfrentou o cortejo numa carruagem luxuosa que no seu diário considerou exagerada, “preferia minhas mulas” relatou. Chegando na sagrada colina impressionou-se com a multidão e com o ânimo do povo e reparou nos negros de ganho vendendo comida. Então descreveu: “nas cabaças já mencionadas algum velho monstro do sexo feminino, amassa a farinha”.

Imagino que o príncipe do alto de seu preconceito quis dizer que uma negra velha e feia preparava a massa do acarajé, suponho. Mas é no trecho seguinte que nos enxerga como símios: “em volta dessas cozinhas improvisadas acocoram-se, então, negros esfarrapados, semelhantes a macacos, enfiando suas patas longas e negras no pirão de farinha, e levando-o às goelas escancaradas, ruminando sob falatório gutural”. Imagino que Maximiliano chamou de patas as mãos, para caracterizar a comparação com os animais de quatro patas e quanto ao resto acho que quis dizer que comiam com muita satisfação e conversando muito.


Mais adiante insiste na sua observação antropológica: “Quando as negras usam seus trajes típicos de cores pitorescas, vivas e berrantes, tem boa aparência. Mas ai delas quando andam com o chamado traje europeu. Ai, então, assemelham-se a macacas vestidas…A cena é por demais cômica. Os gentlemens negros de cartola e casaca tem, também, a aparência extremamente engraçada, e, no entanto, provocam tristeza”. Já indo embora, deixando a igreja, o príncipe faz sua consideração final: “sai dessa louca bacanal para o amplo terraço, de onde se descortina uma vista magnífica”.

Religioso e nem um pouco acostumado a conviver com africanos e afro-descendentes, daí o seu relato com exagerado empenho em nos enxergar como símios. Foi anos depois Imperador do recém criado reino do México, de 1864 a 1867, quando fuzilado pelos republicanos fieis ao presidente deposto Benito Juárez.  A notícia causou comoção em toda Europa e também no Brasil pois o Príncipe-Imperador era primo de Dom Pedro II.

(Fonte: Portal iBahia / Foto: Reprodução)

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