A
Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE/BA) requereu cassação do diploma
e do mandato do deputado federal eleito Benito Gama (PTB) por meio de ação de
impugnação de mandato eletivo (AIME). A ação foi protocolada no dia 7 de
janeiro no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA) por abuso de poder
econômico e 'graves irregularidades nas contas de campanha'.
Enquanto
candidato, Benito, segundo a Procuradoria, subcontratou serviços de terceiros,
por meio destes adquiriu bens destinados à campanha eleitoral e não os declarou
na prestação de contas, 'fugindo do controle efetivo dos gastos eleitorais'. A
campanha do petebista foi uma das mais caras do Brasil para a Câmara dos
Deputados, com gasto total de quase R$ 6 milhões, sendo R$ 4,5 milhões
'despendidos na prestação de serviços de terceiros'.
A PRE
apurou que a campanha do candidato repassou a lideranças políticas (entre eles
ex-prefeitos, ex-vereadores e até mesmo pastores evangélicos) 'vultosas
quantias, a fim de obter apoio e retorno eleitoral, tudo sob o pretexto de
prestação de serviços'.
Nas
apurações, diversas pessoas (30 foram ouvidas pelo MPE) confirmaram ter
recebido dinheiro para a campanha do candidato em vários municípios baianos, a
exemplo do candidato a prefeito derrotado em 2012 em Jaguaquara, que recebeu
300 mil reais; de um dentista atuante na região de Canarana, que recebeu 120
mil 'e muitos outros'. Todos declararam ao Ministério Público Eleitoral que
receberam o dinheiro para exercer a função de coordenadores da campanha e
contratar pessoas para divulgá-la e realizar ações como pintura de muros,
afixação de publicidade, distribuição de santinhos e outros materiais.
Além da
subcontratação de terceiros, diversas testemunhas relataram que, com os valores
recebidos, também realizaram gastos com aquisição de materiais e insumos para
uso na campanha eleitoral, sendo que essas informações foram omitidas na
prestação de contas do atual deputado, em desrespeito à Resolução 23.406/2014,
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na
prestação de contas, em contraste com os R$ 4,5 milhões gastos com prestação de
serviços, Benito Gama declarou despesas de apenas R$ 152,8 mil reais, por
exemplo, com materiais impressos (santinhos, adesivos etc.); R$ 154,5 mil com
placas, estandartes e faixas; R$ 11,3 mil com alimentação; R$ 10 mil com
transporte ou deslocamento e R$ 20,5 mil com combustível e lubrificantes de
automóveis.
De acordo
com a ação de impugnação de mandato eletivo protocolada pela PRE, os valores
estão aquém dos efetivamente gastos por meio das subcontratações e
completamente dissociados das campanhas dos demais candidatos ao cargo de
deputado federal na Bahia.
Os
procuradores Ruy Mello (titular) e Mário Medeiros (substituto) afirmam que na
prestação de contas do deputado 'houve omissão deliberada de informações sobre
reais prestadores de serviços e fornecedores de bens e mercadorias, por meio da
prática de subcontratações'.
Ainda segundo os procuradores, Benito Gama 'burlou, sem reservas, os
ditames legais para colocar nas mãos de terceiros a responsabilidade de
empregar o dinheiro de sua campanha, fugindo assim do controle efetivo dos
gastos eleitorais exigido pela legislação de regência'. A Procuradoria diz
ainda que 'os gastos elevados empregados na campanha desequilibraram o pleito,
pois o aporte financeiro irregular colocou o candidato eleito em posição
vantajosa aos demais concorrentes'. A AIME tramitará em segredo de justiça
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