Novo factoide da mídia faz ilações sobre contribuições legais a Instituto Lula, com a diferença de que este não disputou verbas com a saúde e educação pública, como fez seu antecessor
Não foi só em 2002 que o Instituto
Fernando Henrique Cardoso (iFHC) recebeu dinheiro da Camargo Corrêa,
empreiteira investigada na Operação Lava Jato. Em 2011, o iFHC também recebeu
R$ 1,7 milhão.
O nome da empreiteira não aparece
diretamente como doadora, mas sim a empresa VBC Energia S.A., pertencente ao
grupo desde 2009, quando a Camargo Corrêa comprou a totalidade do controle
acionário da Votorantim Participações.
O mecanismo para doar o dinheiro foi
incentivo cultural para "Tratamento técnico e difusão dos acervos
Presidente Fernando Henrique Cardoso e Antropóloga Ruth Cardoso",
significando que a empresa controlada pela Camargo Corrêa, em vez de pagar este
valor como imposto de renda, preferiu doar ao instituto do tucano.
Pode-se questionar, ao gosto de cada
um, se este dinheiro não seria melhor aplicado se fosse recolhido ao Tesouro
Nacional para a educação e saúde terem mais verbas, ou para o fomento de outras
atividades culturais. Mas isso é uma discussão política. A princípio, não há
nada de ilegal nesta operação, pois esse tipo de incentivo fiscal é previsto em
lei.
O fato ilustra a má-fé usada pela mídia
oligopólica, e por membros da CPI da Petrobras, para fazer ilações sobre
contribuições também legais e legítimas do mesmo grupo empresarial ao instituto
de outro ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, com a diferença de que este
não recorreu a mecanismos de renúncia fiscal, portanto, não disputou verbas com
a saúde e educação pública.
Ilustra também que grandes grupos
empresariais financiam de forma lícita e legítima institutos, fundações, ONGs,
projetos, seja por desejar passar imagem de responsabilidade social ou
ambiental, seja por identificar sinergias nacionalistas e desenvolvimentistas
com os objetivos do instituto – como parece ser o caso do Instituto Lula, que
atua pela integração e desenvolvimento da América Latina e África, coisa que
naturalmente beneficia empresas brasileiras – seja por afinidade ideológica,
como parece ser o caso do iFHC, defensor de privatizações nos moldes
neoliberais.
O grupo Camargo Corrêa, como outros
grandes grupos, atua há décadas em diversos setores, como construções,
pedágios, energia, indústrias etc. Não se pode criminalizar terceiros pelas
ações lícitas de grupos como este. Isso é até fazer cortina de fumaça para
desviar o foco das investigações de coisas realmente graves e importantes de
serem investigadas.
O próprio modus operandi identificado
na Operação Lava Jato apontou que grandes empreiteiras
"terceirizariam" para empresas intermediárias, que não chamariam
atenção, o pagamento de propinas a diretores corruptos da Petrobras e para o
bolso particular de políticos corruptos, de forma a não deixar registros de
supostos atos ilícitos na movimentação financeira das empresas do grupo.
Portanto, os próprios indícios
demonstram que onde havia negócios escusos, procuravam afastar o elo entre
corruptores e corrompidos, usando intermediários. Quando os negócios eram
lícitos, não havia intermediação de empresas "laranjas" e eram feitos
diretamente, à luz do dia. Daí não haver motivos reais, a não ser a velha
baixaria política e a má-fé, em forçar suspeitas sobre contribuições lícitas e
legítimas, seja para o Instituto Lula, seja para o Instituto FHC.
Mas quem quiser fazer ilações na
imprensa, pelo menos tenha a honestidade de noticiar tudo e não apenas a
metade. A Camargo Corrêa também doou ao iFHC. E não foi pouca coisa, nem são
fatos que ficaram no passado, pois ocorreu em 2011.
Sabemos que é demais exigir coerência
na luta política de uma CPI, mas se convocaram o presidente do Instituto Lula,
Paulo Okamoto, têm de convocar também o presidente do iFHC. Afinal recebeu R$
1,7 milhão da Camargo Corrêa em 2011, período abrangido pela CPI.
Aliás, se tivesse que haver
desconfianças quanto à legitimidade dessas contribuições aos dois institutos,
as suspeitas deveriam recair sobre o ex-presidente tucano. Pois é ele quem se
dedica a falar mal do Brasil no exterior. É um discurso prejudicial à economia
e nocivo ao ambiente de negócios das empresas nacionais. Enquanto o
ex-presidente petista não se cansa de falar bem e enaltecer os aspectos
positivos e potencialidades econômicas do Brasil, fazendo sempre palestras e
discursos que são favoráveis às empresas nacionais e geração de empregos aqui.
O que parece ser mais legítimo para uma
empresa nacional: patrocinar atividades que fazem divulgação positiva ou
negativa do Brasil?

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