Esse é o desejo da parte podre da nossa elite, da banda conservadora,
amoral, inculta e feia, e, também, acima do peso devido certamente aos maus
hábitos alimentares e à desídia que lhe é inata. Tal insensato desidério (ou
desatino) traduz-se e se manifesta numa espécie de "compulsão"
atávica, uma espécie de "cacoete" moral, de envenenar o país com seu
ódio e mau humor, com seu pessimismo sombrio, seu desalento paralisante, seu
autoritarismo e intolerâncias intimidatórios - as mais diversas intolerâncias sexual,
étnica, xenófoba, religiosa etc.
Intolerância, fruto perverso das incompreensões, as mais variadas, e do
autoritarismo. Tão arbitrária quanto injustificável – injustificável, sim, ao
menos à luz do dia; à luz da legalidade e do respeito aos direitos humanos; à
luz da civilidade.
Façamos juntos, pois, uma pequena digressão, para tentarmos, de alguma
maneira, num esforço, entender o incompreensível, o injustificável, o
inaceitável. Tentemos, façamos um esforço, para apreender o possível sentido de
uma ignomínia. Não com o sentido de justificar e aceitar, por suposto, mas com
o intento de mapear ou esquadrinhar o comportamento, o DNA, dessa banda podre
da nossa elite amasiada com essa classe média beócia, leitora da revista
"Veja", em sua arrogância da ignorância. Vejamos...
Tentemos olhar para essa questão sem paixão. Tentemos utilizar como
espelho os olhos de quem nos vê de fora.
Amigos estrangeiros que, na década de 1990, vinham me visitar aqui no
Brasil, diziam-me em conversas informais, entre a perplexidade e a
incredulidade, não entender como um país tão rico em recursos naturais,
culturais e humanos, como o Brasil, tinha tanta pobreza e desigualdade social.
No que, constrangido, eu lhes respondia: "O povo é bom, o país é rico, mas
a elite é que não presta".
Porque para um estrangeiro, que não está habituado a conviver com tantas
riquezas naturais: com sol o ano inteiro; com água em abundância, exceto hoje
em SP, (justamente em SP!), com tanta variedade na culinária e na
gastronomia; com tamanha oferta e diversidade em frutas, legumes e hortaliças;
com paisagens exuberantes etc é inconcebível. Para uma pessoa que nos olha de
fora, é difícil acreditar que a riqueza esteja, de um maneira tão
desavergonhada e imoral, concentrada nas mãos de uns poucos. É inadmissível.
Injustificável. Inaceitável!
É uma vergonha!
A elite brasileira sempre foi, para a nossa desgraça, "xupim"
e "entreguista". Sempre teve uma postura de dilapidar ou degradar o
patrimônio público e as riquezas nacionais. Sempre.
Desde o período que se seguiu à nossa colonização, as elites locais se
apraziam em se acumpliciar com os saqueadores da nação, e quando estes partiam
de volta à metrópole, os "locais" e os "crioulos" adotavam
(e efetivamente adotaram), sem pejo ou pudor algum, a mesma postura meramente
extrativista, exploradora, autoritária, egoísta. Era, como ainda é, pois, uma
espécie de "vício" - ou de "hábito", se preferirem.
Portanto, fazia-se necessário acobertá-lo [ao vício] com falsas virtudes e
muita hipocrisia. Doses cavalares de hipocrisia e dissimulação.
Hoje, como na época da colonização e do Império, reclamam-se dos
impostos, enquanto, por debaixo dos panos, sonegam e remetem os recursos, tão
escassos, não declarados para contas offshore. Ou seja, para além-mar.
Recursos estes expatriados que faltam, aqui dentro, para construir
escolas e hospitais.
Os nossos "santos" parecem ser a mais perfeita e autêntica
representação simbólica dos santos (e santas) do pau oco de tempos idos,
passados, que insistem em retornar, sem de fato nunca terem ido; insistem em
voltar; em se tornar, novamente, presente. Aos olhos desses "santos",
conceitos como felicidade, justiça, dignidade, igualdade e fraternidade são
meras palavras, também ocas, tão admiráveis quanto abstratas, que, para nossa
elite, bem como para boa parte da nossa classe média, só são encontráveis, tal
qual num oásis de virtudes compradas, atravessando-se o oceano – seja em
direção à Miami ou em direção à Paris ou Zurique.
Agora, querem estragar mais uma riqueza e patrimônio nacional: Lula.
O ex-presidente Lula, você até pode não gostar dele, o que é plenamente
"compreensível" até, digamos assim, após o incessante e diuturno
bombardeio de infâmias e maledicências que, há anos, é inoculado na mente e na
alma dos cidadãos brasileiros, via TV ou via grande imprensa de negócios,
negociantes & negociatas. Mas Luiz Inácio Lula da Silva é uma personalidade
admirada e respeitada, mundialmente, por sua trajetória; pela sua atuação no
combate à fome e à miséria, no Brasil e na África. Já até perdi a conta de
quantos títulos de Doutor Honoris Causa, Lula já recebeu. E por que terá
recebido esses títulos?
Lula é um doutor "por causa da honra". Pelo menos, segundo os
títulos que lhe têm outorgado diversas universidades de renome,
respeitabilidade e credibilidade por todo o globo.
Já com relação aos indivíduos da elite e da classe média que o condenam
e desrespeitam...
Já, praticamente, saquearam todas as empresas nacionais; levaram à
falência a maior parte do empresariado brasileiro; já encheram as burras dos
banqueiros; tentam, todos os dias arruinar a democracia; são corruptos;
imorais... etc. etc.
Tentam agora, uma vez que não conseguiram "passar nos cobres",
arruinar a Petrobras. E até – vejam bem – as antes "amigas"
empreiteiras!
Onde estaria, portanto, a "honra" das nossas elites? Ao rés do
chão. Impertinente, ouso apontar a resposta.
Agora, querem condenar e prender o Lula – com base no tal Domínio do
Fato, provavelmente (não importando o fato, tampouco o domínio).
Ou seja, querem arruinar de vez a imagem do país lá fora.
Traduzindo o torpe modus
operandi da nossa elite: se não conseguem retomar o controle da Casa-Grande
pelo voto, e se a senzala se assanha em improvável alegria, o jeito é tocar
fogo no país e colocar na cadeia seu maior líder operário que insinua o indesejável
florescer de uma elite proletária.
Observatório da Imprensa

0 comentários:
Postar um comentário
Os comentários serão de responsabilidade dos autores. podendo responder peço conteúdo postado!