O Brasil foi transformado na casa da mãe Joana, onde todo mundo manda.
Manda a mídia, manda o juiz Sergio Moro, manda o procurador Fernando Lima,
manda a Policia Federal, manda o deputado Eduardo Cunha, manda o senador Renan
Calheiros. Quem menos manda é a presidente Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal
Federal, o ministro José Eduardo Cardozo. Todo mundo faz o que bem entende,
ameaça de morte quem não pensa como a oposição, agride ex-integrantes do
governo em hospitais e restaurantes e insulta a presidente da República nas
redes sociais e até em adesivos colados em automóveis. E ninguém sofre qualquer
punição. As arbitrariedades e a impunidade generalizada transformaram a
democracia vigente no país em uma anarquia mascarada.
O procurador Fernando Lima, por exemplo, um dos principais integrantes
da força-tarefa da Operação Lava-Jato, certamente sentindo-se fortalecido
diante do silêncio e da inércia do STF e da autoridade maior do Ministério
Público, chega a debochar publicamente da presidente da República. Em resposta
a uma crítica da presidente Dilma Rousseff, sobre as delações premiadas, disse
à "Folha de S.Paulo" que "como não há [entre delatados da Lava
Jato] nem Jesus Cristo nem Tiradentes, não há entre os delatores nem Judas nem
Silvério. Porque não vivemos nem na Roma imperial nem nos tempos de Maria Louca
(??). Vivemos na democracia".
Ele esqueceu de dizer que se vivemos hoje numa democracia devemos, entre
outras pessoas, à própria Dilma, que lutou contra a ditadura, chegando
inclusive a ser presa. E ele? Qual a sua contribuição à democracia? Na verdade,
se houvesse mesmo democracia em nosso país o procurador Fernando Lima não teria
a ousadia de debochar da chefe da Nação, pois as instituições estariam
funcionando perfeitamente, sem medo da mídia, e ele, como funcionário público,
seria punido pelos seus superiores. Como, no entanto, vivemos mesmo numa
anarquia, ninguém mais respeita ninguém. A própria Presidente não reage aos
insultos de que tem sido vítima.
Como uma das consequências da apatia do governo e do Supremo Tribunal
Federal, aparentemente amedrontados diante das pressões diárias da grande
mídia, o juiz Sergio Moro se transformou no homem mais poderoso do país,
promovendo um festival de prisões e estimulando a delação premiada para obter
resultados políticos. Todo o mundo jurídico critica os seus métodos
arbitrários, até o ministro Marco Aurélio Melo, do STF, mas como até hoje não
houve uma posição formal do Supremo ele continua fazendo o que bem entende,
acolitado entre outros pelo procurador Fernando Lima, ignorando solenemente
todos os que discordam dele. E não está preocupado porque tem a mídia, que até
já o premiou, do seu lado.
Enquanto isso o senador Aécio Neves, ainda inconformado com a sua
derrota nas eleições presidenciais do ano passado, continua buscando algo para
perturbar a presidente Dilma Rousseff. Até hoje ninguém tomou conhecimento de
qualquer projeto da sua autoria destinado a melhorar alguma coisa no Brasil. Na
verdade, ele não faz outra coisa a não ser agredir o governo e procurar motivos
para derrubar a Presidente. Certamente por isso está perdendo espaço para o
governador Geraldo Alkmin, de São Paulo, que se mostra mais maduro e muito mais
equilibrado para concorrer à Presidência da República em 2018. Aliás, na
propaganda partidária na TV Alckmin fez questão de separar o PSDB de São Paulo
do PSDB de Aécio.
Por sua vez o deputado Eduardo Cunha, hoje o segundo homem mais poderoso
do país depois do juiz Moro, deita e rola na Câmara dos Deputados, atropelando
tudo para fazer valer a sua vontade. E conseguiu aprovar a redução da
maioridade penal no mesmo dia em que a proposta foi rejeitada, contando para
isso com os votos até de parlamentares da base aliada. Cunha, pelo visto, tem a
Câmara nas mãos, pois também faz o que bem entende diante da submissão da
maioria dos parlamentares. Sua diferença para o juiz Moro é que ele é chefe de
um poder e não tem ninguém acima dele, a não ser o plenário da Casa que, no
entanto, vem homologando todas as suas decisões. Talvez por isso ele também
defenda o Parlamentarismo.
O fato é
que alguém precisa fazer alguma coisa para mudar essa situação de insegurança
em que o país está vivendo. Além das prisões indiscriminadas, ao sabor dos
humores do juiz Moro, o ódio disseminado pela grande mídia e redes sociais
ameaça fazer uma vítima a qualquer momento, pois as agressões verbais a
ex-integrantes do governo e a quem não reza pela cartilha da Direita estão se
intensificando sem nenhuma medida punitiva. Se nada for feito um dos muitos
desequilibrados que pululam por aí, especialmente nos locais frequentados pela
elite paulista, poderá cometer um desatino de consequências trágicas. Afinal,
depois que um imbecil pregou a morte de Jô Soares, só porque entrevistou a
presidente Dilma Rousseff, tudo é possível.
Ribamar Fonseca
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