Caio Prado Jr. em seu livro "Formação do Brasil
Contemporâneo", quando aborda as relações entre nação e colônia no processo
histórico que originou o Brasil, capítulo 'Vias de Comunicação e Transportes'
cita o valor do Rio São Francisco, como a linha de comunicação mais importante
do sertão do Nordeste.
Aponta Caio: "Por aí, os primeiros sertanistas
e suas fazendas de gado, vindos da Bahia e do São Francisco, penetraram o Piauí
no século XVII e colonizaram o seu território. Transitaria por ela, em seguida,
a maior parte do gado consumido no Recôncavo Baiano. Em princípios do século
passado , (XIX) desciam por essa via cerca de 20.000 cabeças de gado que
passavam pelo registro em Juazeiro".
Coloquei esse trecho do livro de Caio Prado Jr apenas
para ilustrar a importância do Rio São Francisco desde os primórdios da
colonização portuguesa até os dias atuais. Em seu território na Bahia - o rio
percorre também os estados de Minas, Alagoas e Sergipe - cidades surgiram e
cresceram em suas margens, a citada Juazeiro, Paulo Afonso, Pião Arcado,
Remanso, Malhada, Bom Jesus da Lapa, Glória, Carinhanha e outras - e milhares
de pessoas vivem do rio ou em função de projetos que tem o rio como fonte de
vida.
Mais recentemente, nos municípios de Juazeiro e
Petrolina surgiram os projetos do cultivo da uva e uma indústria vinícola
ascendente que colocou o Nordeste como produtor de vinhos. Wilson Lins escreveu
uma trilogia sobre o rio e as lutas dos coronéis de Pilão Arcado, Remanso e
Santo Sé, a saga sertaneja em volta do rio, seu povo, suas beatas, suas
assombrações.
Toda uma cultura se desenvolveu em torno do
rio: música, literatura, arte, dança, folclore, artesanato, cordelismo,
culinária, artes visuais, cinema, vídeo e muito mais.
Pois bem, o
rio está 'morrendo'. Seus afluentes na Bahia não levam mais águas para o Velho
Chico - denuncia o senador Otto Alencar (PSD), o qual colocou seu mandato a
serviço de revitalizar o rio.
O Projeto de Transposição de suas águas para beneficiar
regiões secas do Nordeste, idealizado e executado - em parte - no governo Lula
da Silva só fez enterrar dinheiro no solo do sertão. Foi abandonado.
Na Bahia, as
comunidades do Médio São Francisco estão se levantando, protestando, gritando,
exigindo das autoridades algum projeto que possa salvar o rio. Investimentos em
recuperação de suas áreas ciliares, dragagem, revitalizar afluentes,
disciplinar o consumo da água industrial e assim por diante.
Até agora, no entanto, o governo federal não
sinaliza na direção de que vai fazer alguma coisa. O senador Otto Alencar tem
empunhado a bandeira para salvar o rio. É pouco. Tem que haver uma ação
conjunta de todos os politico dos 4 estados, incluindo os governadores,
senadores e deputados.
Sem isso, a profecia de que o rio vai morrer é real.
Hoje, está no leito de UTI.
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